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“Boa parte dos directores já parece sentir-se feito de outra matéria do que a globalidade dos professores” – Paulo Guinote

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Há que reconhecer quando um adversário consegue vencer, nem que seja à distância, a médio prazo, uma guerra. Em 2013, fui a um Congresso da ANDAEP onde Maria de Lurdes Rodrigues se lamentou de os directores não terem ainda desenvolvido o “espírito de corpo” (ou expressão equivalente, não fui consultar os apontamentos da época) que ela lhes tinha procurado incutir, para melhor aplicarem as políticas e, implicitamente, se afastarem da generalidade dos docentes.

A finalizar 2020, penso que a “reitora” já não afirmaria isso, pois boa parte dos directores (e nem sempre os mais antigos, que há por aí uns “novos” que parecem ter refinado na peneirice arrogante) já parece sentir-se feito de outra matéria do que a globalidade dos professores que urge amestrar ou domesticar nas últimas bolsas de protesto ou resistência a abusos.

Calma, eu sei que nem [email protected] são assim. Mas, infelizmente, cresce o número dos que se acham dotados de uma espécie de inspiração divina, que lhes deveria garantir um estatuto separado, até em termos de carreira. Como se vai percebendo agora que têm de passar, na sua avaliação, por um sistema de quotas parecido ao do resto dos zecos. E acho mal, porque discordo desse sistema. Mas, ao mesmo tempo, acho que o karma é lixado e, por vezes, escreve direito por linhas tortas. Que os directores queiram uma revisão do seu sistema de avaliação, compreendo, pois eu também quero a revisão do meu. O que “descompreendo” é que publicamente reclamem só para si o que não aceitam aos outros e ainda pressionam para que seja aplicado.

A add é uma porcaria que só se tornou possível pelo amochar de órgãos de gestão e centros de formação, que nunca se ergueram a contestar o modelo, nem sequer nestes tempos de pandemia. Alteraram-se calendários escolares, eliminaram-se provas de aferição, alteraram-se as regras dos exames do Secundário. Mas a add ficou tal como estava, sem qualquer respeito por regras básicas de segurança sanitária, obrigando-se os docentes avaliadores externos a andar de escola em escola, sem que quase ninguém se opusesse a tal.

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