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Às vezes, gostava que não fossem só os professores a reclamar “escusa de responsabilidade” – Eduardo Sá

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Que se parta do princípio, até “para se poupar o trabalho burocrático dos professores”, que as provas de aferição de crianças de sete anos sejam realizadas através de computador preocupa. Mesmo quando as condições de igualdade das crianças em relação aos computadores, à banda larga que utilizam e aos agrupamentos de imensas escolas onde elas se realizam, que estão separados por quilómetros, quando os problemas técnicos surgirem nalguns computadores. E, não, não se trata de ignorar a versatilidade das crianças diante da “escrita na ponta dos dedos”. Trata-se de conjugar, com parcimónia e com bom senso, a motricidade fina das crianças (que, muitas delas, aos sete anos, não sabem desembaraçar-se com um atacador) com a literacia digital. Trata-se, primeiro, de querê-las a desenhar as letras. Depois, a torná-las audio-visuais, aprendendo a palavra, e a juntá-las. Para que, depois, com tempo, transitem para o computador. Que, agora, se usem provas de aferição, recorrendo cedo demais a uma computador, pode ser escorregadio. Muito escorregadio! E pouco sensato.

 

Às vezes, gostava que não fossem só os professores a reclamar “escusa de responsabilidade” em relação a estas provas, neste formato. Mas que fossem também as crianças, instruídas pelos seus pais, que se escusassem. De forma a que se pense, primeiro, a escola, e os seus primeiros anos de escolaridade, e, só depois, se fosse em frente. Assim, receio que tenhamos um mundo cada vez mais “avançado” com crianças, cada vez mais, “atrasadas” na forma como pensam com o corpo, com a motricidade e com a palavra. Por mais que os resultados, uma vez mais, possam vir a sossegar-nos com mais um “não se passa nada”. Que só nos preocupa ainda mais.

Escrever, cedo demais, com a ponta dos dedos pode não ser escrever. Mas apressar. Se bem que aprender e apressar não liguem tão bem assim quando se trata de avaliar.