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Alerta em Vila Franca de Xira. “Estamos na corda bamba por causa do surto em duas escolas”

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Éum dos treze concelhos que pode ter de fazer marcha-atrás no desconfinamento se nos próximos quinze dias os números da pandemia não baixaram o patamar dos 120 casos por cem mil habitantes. Mas em Vila Franca de Xira ninguém quer imaginar voltar a viver com as medidas mais restritivas. “As pessoas estão exaustas. É uma situação muito penosa a nível social, económico e psicológico”, desabafa o presidente da autarquia, Alberto Mesquita, que logo no dia seguinte ao anúncio de António Costa sobre o bê-a-bá do desconfinamento gravou um vídeo para a população local “reagir” e não se deixar acomodar pelo cansaço causado pela pandemia.

Esta sexta-feira, eram 255 os casos ativos e não havia ninguém internado. E o rácio era de um pouco menos de 160 casos positivos por 100 mil habitantes, acima do nível mínimo estabelecido pelas autoridades de saúde. De acordo com a autarquia, os valores têm vindo a baixar sistematicamente nos últimos dias, mas ninguém garante que não possam voltar a subir de novo, depois da reabertura da terceira fase do desconfinamento.

“Estou preocupado sobretudo com as escolas”, confessa o autarca que defende, no entanto, ser imperativo que os alunos do secundário voltem às aulas presenciais. “É algo necessário, mas pode levar a algumas escolas a encerrar.” Mesmo com as testagens massivas previstas já nos primeiros dias de regresso às aulas dos mais velhos.

Mas, afinal, por que razão Vila Franca de Xira entrou para o grupo de concelhos de maior risco?

A explicação está, aparentemente, nos dois surtos em março que afetaram dois estabelecimentos de ensino do concelho: a Escola Básica Casal da Serra, na Póvoa de Santa Iria, e o colégio José Álvaro Vidal, em Alverca. Na escola pública, tudo começou num aluno do pré-escolar cujos familiares testaram positivo à covid-19. Alguns testes depois, concluiu-se que estavam infetados 44 alunos do pré-escolar e do 1.º ciclo e cinco adultos (entre professores e auxiliares). “A escola esteve fechada durante 14 dias e só abriu a 13 de abril”, conta um responsável daquela escola.

Já no colégio de Alverca, o número de infetados ascendeu aos 33 alunos e sete funcionários. “Não foi preciso fechar a escola porque temos circuitos estanques. Ficaram nove turmas em isolamento profilático. E agora ninguém regressa sem testes PCR de cura”, explica Carla Gil, diretora-coordenadora da Fundação CEBI, que gere aquele estabelecimento de ensino. Obviamente que os dois surtos não se limitaram às instalações escolares, tendo havido um número indeterminado de familiares dos alunos e funcionários que foram também contagiados com o vírus.

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