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Aguiar-Conraria defende novo ministro da Educação: “Dizer que não conhece a pasta é tolo”

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O presidente da Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho (EEG), Luís Aguiar-Conraria, teceu elogios ao seu colega e agora nomeado ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, lembrando que o mesmo “tem muito trabalho feito” nas três áreas que irá administrar.

 

Admitindo um “conflito de interesses”, por Fernando Alexandre ser professor na mesma escola de ensino superior a que Aguiar-Conraria preside e agora ficar com a tutela da universidade, o professor catedrático e colunista em jornais nacionais defendeu a sua posição acerca do novo ministro, escrevendo nas redes sociais “o que pensa”, prometendo tentar “não voltar a falar sobre o assunto”.

Como O MINHO noticiou, Fernando Alexandre, professor na Escola de Gestão e Economia da Universidade do Minho, foi proposto como novo ministro da Ciência, Educação e Inovação para o XXIV Governo Constitucional, liderado por Luís Montenegro.

Nas redes sociais, foram várias as personalidades que manifestaram regozijo com esta eleição, como foram casos de Paulo Cunha, presidente da Distrital do PSD de Braga, ou Ricardo Rio, presidente da Câmara de Braga. Mas também houve quem criticasse por Fernando Alexandre nunca ter lecionado noutro tipo de ensino que não o superior.

Porém, para Aguiar-Conraria, presidente da EEG da UMinho, Fernando Alexandre “já por diversas vezes deu provas da sua enorme competência”, sendo que “a esse nível estamos garantidos”, focando o “muito trabalho feito sobre Economia Portuguesa, sobre a ligação das universidades às empresas e o seu papel na inovação”, além dos “vários trabalhos publicados na área no ensino superior”.

“Assim, dizer que ele não tem conhecimentos sobre a pasta que vai tutelar é simplesmente tolo. Tem estudado como poucos as três áreas do seu ministério: educação, ciência e inovação”, argumentou Aguiar-Conraria, reconhecendo, no entanto, que é um facto não ter “trabalho na parte da educação não superior”.

Contudo, o professor e economista defende que “essa lacuna”, que “pode ser apontada”, não inviabiliza que consiga “imaginar alguém que tenha trabalho em todas as áreas deste superministério”, outro assunto que Aguiar-Conraria questiona:

“(…) se devia estar tudo num só (ministério) ou não.Apesar de eu ter as mesmas dúvidas que muita gente tem, confesso que me agrada ver alguém com a sua competência a lidar com os enormes problemas e desafios do ensino não superior”, admitiu.

A terminar, vincou que o “perfil ideológico” de Fernando Alexandre é o de “um verdadeiro social-democrata”.

“Acredita no papel distributivo do Estado, na educação pública como forma de promoção social (ele próprio é um produto do ensino público) e no papel do Estado para definir estratégias de desenvolvimento para o país e na definição de sectores prioritários. Apesar de eu ser mais de esquerda, ele é muito mais intervencionista e menos liberal do que eu”, concluiu Aguiar-Conraria.

Fernando Alexandre é professor associado com agregação da Universidade do Minho, vice-presidente do Conselho Económico e Social e consultor da Fundação Francisco Manuel dos Santos. Na Universidade do Minho exerceu as funções de pró-reitor, presidente da Escola de Economia e Gestão e diretor do Departamento de Economia. É natural de Ilhavo, distrito de Aveiro.

Anteriormente exerceu as funções de Secretário de Estado Adjunto do ministro da Administração Interna no XIX Governo Constitucional.

O Minho