Início Educação A urgência de reformar a educação escolar em Portugal – Pedro Patacho

A urgência de reformar a educação escolar em Portugal – Pedro Patacho

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Sabem os leitores de quando data a última grande reforma educativa no nosso país, que permitiu dar um significativo salto qualitativo no ensino? De 1989, num processo iniciado em 1986, num mundo em que não havia canais televisivos privados nem acesso à Internet, e-mail, telemóveis e demais tecnologias que marcam o nosso quotidiano, sem esquecer a multiplicidade de meios de acesso ao conhecimento e à informação.

Compreende-se, por isso, a urgência que todos – professores, alunos, famílias, empresários, sociedade civil – vimos sentindo quanto à necessidade de redefinirmos a organização e o funcionamento da educação escolar, praticamente inalterados desde há longas décadas, à luz da realidade social, cultural e económica contemporânea e, sobretudo, dos desafios que emergem no nosso horizonte.

O recente estudo da Edulog veio confirmar a centralidade da docência na educação escolar. Na verdade, demonstrou-se agora o que já sabíamos, que os bons professores fazem a diferença. Mas o que é um bom professor? Que tipo de formação inicial queremos para os professores? E o que fazer com os professores que estão hoje nas escolas e que precisam de apoio para reorganizar a educação escolar? Como prestigiar a profissão docente e atrair os melhores para o trabalho quotidiano de construir o nosso futuro coletivo?

As políticas educativas estão sufocadas por discursos românticos e complacentes, estão poluídas por ideias e certezas absolutas que desviam a atenção do simples facto de que não há vitórias fáceis. Qualquer caminho implica escolhas complexas, riscos, dificuldades burocráticas, compromissos políticos duradouros e transformações ideológicas.

Estamos em 2021 e, para além de todas as mudanças verificadas ao longo das décadas, a pandemia veio tornar ainda mais evidente a necessidade de desencadear um processo nacional de reforma da educação escolar, participado pela sociedade, guiado pela ideia de construir um novo compromisso político, estável e duradouro, para pelo menos 12 anos, um pacto social e político que defina a educação escolar de que precisamos para alcançar o país que queremos, socialmente mais justo, democraticamente mais forte, economicamente mais próspero.

Mais do que discutir o passado, é tempo de preparar o futuro. Hoje.

O autor escreve segundo o novo acordo ortográfico