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A saga da falta de professores continua: para quando medidas concretas – Ana Catarina Mesquita?

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Milhares de alunos continuam sem aulas nas escolas portuguesas, o que é extremamente preocupante, sendo que esta situação se tende a agravar. Por um lado, existe um número elevado de docentes a aposentar-te e, por outro lado, não existe um número suficiente de jovens que pretenda seguir a carreira docente como primeira opção de prosseguimento de estudos.

 

As zonas de Portugal onde a falta de professores mais se faz sentir são Lisboa e Algarve, onde a habitação é mais cara. Pensemos: como pode um professor, com o salário escasso que ganha, continuar a pagar a casa onde habitualmente vive e ainda pagar a renda de outra, para onde tem de se deslocar para dar aulas? Claramente, torna-se inviável do ponto de vista financeiro suportar tais gastos. E onde estão os apoios do governo para estes docentes? Para já, inexistentes, quando deveria ser prioridade do governo debruçar-se rapidamente sobre esta situação, em prol do superior interesse dos alunos.

A verdade é que o problema se tem mantido ano após ano, sem que se aprenda com o passado, criando, previamente, medidas que combatam esta situação de instabilidade logo a abrir o ano letivo e que, obviamente, só prejudica os alunos e traz grandes preocupações aos pais. Temos alunos que já perderam muito tempo de aprendizagem com a pandemia e que continuam a enfrentar problemas de recuperação da mesma nas escolas, devido à falta de professores e à instabilidade que, desde o ano letivo passado, se tem vindo a sentir, com o impasse das negociações entre a classe docente, sindicatos e o ministério da educação.

É importante que percebamos que o tempo que está a ser despendido a resolver estas questões é tempo que se perde para tratar de outras mais estruturais e igualmente urgentes, no seio das escolas. Tudo isto afasta os jovens da carreira docente, o que só significa que, no futuro, a falta de professores tenderá a agravar-se. Enquanto não forem criadas medidas de incentivo que atraiam os jovens para a carreira docente e os docentes existentes para zonas onde a falta do mesmos é mais evidente, o problema continuará.

Isto já sem contar com novas greves e manifestações que se adivinham e que ainda mais instabilidade trarão à aprendizagem dos nossos alunos. Por esse motivo, seria urgente que os problemas começassem a ser pensados e resolvidos para que, finalmente, pudéssemos colocar o foco nos alunos e tornar a escola num sítio mais moderno, mais adaptado às novas realidades, mais dinâmico e motivante para todos.

A educação tem de ser um dos pilares de qualquer país, deve ser tratada com respeito e dignidade, assim como todos aqueles que na sua esfera intervêm diariamente. Por isso, como mãe, como docente e como cidadã, apelo ao Sr. Ministro da Educação que medidas de caráter específico e prático sejam pensadas e colocadas em prática para que o problema de falta de professores seja rapidamente ultrapassado. Nunca nos esqueçamos de que comprometer a educação significa colocar em causa todo o futuro do país.

Observador