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A injustiça perpetua-se no sistema educacional – Anabela Fernandes

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A injustiça perpetua-se no sistema educacional, e um exemplo claro disso é a forma como os docentes são tratados ao final de um ano letivo exaustivo. Após dedicarem meses de seu tempo, energia e conhecimento para guiar e educar seus alunos, os professores são obrigados a enfrentar mais uma tarefa árdua: a correção dos exames nacionais e provas de aferição.

 

Esse processo de classificação implica horas intermináveis de trabalho, muitas vezes sem qualquer remuneração adicional digna. A pressão é enorme, afinal, é dessa avaliação que dependem muitas oportunidades futuras para os estudantes. No entanto, muitas vezes não se leva em conta a carga física e psicológica que os docentes já carregam ao final do ano letivo.

 

A exaustão é palpável. Muitos professores têm de se desdobrar para cumprir as suas responsabilidades na escola, lidar com a burocracia e ainda encontrar tempo para a correção dos exames. Essa jornada extenuante afeta diretamente a saúde física e psicológica destes profissionais, que veem as suas noites de sono reduzidas, a sua alimentação prejudicada e, consequentemente, a sua qualidade de vida drasticamente afetada.

 

E o que é oferecido em troca? Muitas vezes, apenas as férias regulamentares são destinadas aos professores para que possam descansar e recarregar as energias para o próximo ano letivo. No entanto, esses períodos de descanso nem sempre são suficientes para restabelecer o bem-estar desses profissionais, que muitas vezes ainda precisam utilizar esse tempo para se atualizar e se capacitar para enfrentar novas demandas e desafios.

 

É urgente que haja uma revisão dessa realidade. Os docentes merecem ser valorizados e reconhecidos pelo trabalho árduo que desempenham. É necessário que sejam oferecidas compensações adequadas, tanto em relação a uma remuneração digna pelo trabalho de correção dos exames nacionais, quanto ao cuidado com a saúde física e mental desses profissionais.

 

Investir na valorização dos docentes é investir na educação como um todo. Somente dando condições adequadas de trabalho e reconhecimento aos professores será possível assegurar uma educação de qualidade para os estudantes. É hora de repensar e reformular essa injustiça que perpetua uma prática que agrava o estado físico e psicológico dos docentes, prejudicando não só estes profissionais, mas também o futuro de nossa sociedade. Os nossos sindicatos têm de dar voz a esta vergonha! Anabela Fernandes