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A Ilusão da Igualdade – Roberto Linhares

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A Ilusão da Igualdade

Tem vindo à tona muitos problemas que antes estavam “escondidos” da sociedade.

Crianças a viver em casas onde chove, pais e famílias “ausentes” sem tempo para os filhos, crianças que passam fome, jovens em risco, etc etc.

Todos estes problemas são reais, preocupantes, e já existiam antes da pandemia, e vão continuar a existir depois.

O E@D só os trouxe à tona.

Pensar que o retorno ao ensino presencial vai, por artes mágicas, resolver o problema das casas onde entra água, dos alunos sem recursos, ou das assimetrias sociais, é utopia.

As escolas estão abertas, e bem, para os alunos em risco e, espero, que só reabram para os restantes, quando forem garantidas condições de saúde e higiene, nomeadamente, maior distanciamento entre os membros da comunidade educativa, para pelo menos os dois metros recomendados pela DGS para espaços fechados, o uso generalizado de máscaras a todos os níveis de ensino, e testes rápidos para todos os contactos de casos positivos.

Dito isto, todos os problemas que vão sendo referidos não são educativos, são sociais, e só se resolvem com políticas sociais.

As Escolas foram, até agora, o tapete para onde se varreu o lixo todo. Sem o tapete, está à vista a miséria.
Talvez daí, também, a relutância em fechar as Escolas.
Vem a porcaria toda à tona.

Talvez agora entendam o que nós Professores andamos a gritar há anos, e ninguém presta atenção.

O elevador social há muito que empacou.
As condições são zero, ou perto disso.
As Escolas fazem o papel de Segurança Social, CPCJs, e Polícias.

É preciso mudar todo o sistema de ensino, de alto a baixo.
É preciso mudar todo o sistema de assistência social.
É preciso mudar todo o sistema de promoção social, combatendo o nepotismo que se instalou no nosso país.

Defender o regresso do ensino presencial como solução para estes problemas, é atirar areia aos olhos.
É enganar as pessoas.
É vender a ilusão de uma igualdade que há muito não existe.

Roberto Linhares