Início Opinião A IGEC: Uma entidade desnecessária e prejudicial – Carlos Miguel Santos Silva

A IGEC: Uma entidade desnecessária e prejudicial – Carlos Miguel Santos Silva

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A sua existência tem sido questionada por muitos, que a acusam de ser uma das maiores causadoras da burocracia no sistema educativo português. A IGEC exige uma grande quantidade de documentação e relatórios dos estabelecimentos de ensino, o que leva a um aumento do trabalho administrativo e à desvalorização da atividade letiva.

Além disso, a IGEC está doutrinada para colocar todos os agrupamentos e escolas a trabalhar em sintonia, ignorando as especificidades de cada um. Esta homogeneização é prejudicial para a qualidade do ensino, pois impede que os estabelecimentos de ensino se adaptem às necessidades dos seus alunos e contextos.

Por fim, a IGEC exige resultados, mas é incapaz de escrever nos seus relatórios que muitas vezes não se consegue alcançar esses resultados por falta de meios. A falta de financiamento e de recursos humanos é um problema crónico do sistema educativo português, e a IGEC parece ignorar essa realidade.

Por todos estes motivos, é importante questionar a existência da IGEC nestes moldes. Esta entidade é um peso burocrático para o sistema educativo português, e não contribui para a melhoria da qualidade do ensino.

Uma alternativa: a autonomia das escolas

Em vez da IGEC, seria preferível que a avaliação do sistema educativo fosse feita por entidades externas, independentes do Ministério da Educação. Estas entidades poderiam realizar avaliações regulares, com base em critérios objetivos e transparentes.

Além disso, é importante reforçar a autonomia dos estabelecimentos de ensino. Os diretores e professores devem ter mais liberdade para tomar decisões sobre a sua atividade letiva. Esta autonomia permitiria que os estabelecimentos de ensino se adaptassem às necessidades dos seus alunos e contextos, sem estarem sujeitos à doutrinação da IGEC.

A verdadeira autonomia das escolas, geridas pelos professores e com prestação de contas quer ao nível dos resultados dos alunos quer ao nível financeiro, é uma solução que tem sido defendida por vários autores.

Esta solução seria mais eficiente e eficaz do que a atual, pois permitiria que as escolas se concentrassem na sua atividade principal: a educação dos alunos. A IGEC, nestes moldes, seria desnecessária.