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A felicidade na escola – Eduardo Sá

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Alunos mais felizes aprendem com mais facilidade. Professores mais felizes ensinam melhor. Alunos que aprendem melhor sentem-se mais felizes. A felicidade dos alunos e a dos professores ligam-se e alimentam-se uma com a outra.

 

Mas os alunos trabalham das 8 às 8, 5 dias por semana, com trabalhos de casa entre o banho o jantar e com os pais à beira de um ataque de nervos. Com explicações ao sábado. E preparação dos testes da semana seguinte ao domingo. E os professores queixam-se da carreira. Da mobilidade. E do reconhecimento social. Uns e outros viveram uma pandemia. Dois confinamentos. Meses e meses de recuperação de aprendizagens. E um último ano de muitas greves na educação. Para além disso, pendem sobre os adolescentes de hoje nuvens negras sobre o seu futuro. São as crises da economia, do emprego, da habitação, do ambiente. Com tudo isto em pano de fundo, de que forma professores e alunos se sentem felizes com a escola? Foi sobre a felicidade que a Escola Amiga da Criança — um projecto da Confederação das Associações de Pais com o apoio da Leya Educação — lançou, com a Universidade Católica Portuguesa, um estudo sobre a felicidade nas escolas. Que inquiriu mais de 5000 professores e de 3000 alunos*.

Dos resultados ressaltam algumas ideias essenciais:

Em vez das boas notas, o bem-estar dos alunos na escola depende, no essencial, da relação que têm professores. As notas são importantes para o seu bem-estar geral. Mas não tanto para se sentirem bem na escola.

No lugar de colocarem à frente de tudo mobilidade, salários ou condições de trabalho, o bem-estar dos professores na escola depende, sobretudo, da sua relação com os colegas e com os alunos.

O contexto socioeconómico não é um factor que interfira com o bem-estar na escola. Aos olhos dos alunos, a escola tem conseguido tratar todos por igual.

Quando se imaginam a cinco anos de distância, alunos e professores vêem-se mais felizes. Sendo que os alunos se vêem quatro vezes mais felizes que os professores.

Afinal, em vez de egoístas, fechados sobre si, cercados por crises e desconsiderando pais e professores, os adolescentes respondem-nos:

Do que é que eu preciso para estar com a minha vida? Dos meus pais!
O que é me faz falta para estar bem com a escola? Dos meus professores. (Que são vividos por eles como indispensáveis!)
Em resumo: do que eu preciso é de bons exemplos!
Por tudo isto, talvez seja altura de percebermos que a forma como os adolescentes vivem a escola e as notas tem muito mais a ver com o modo como os pais os imaginam e como todos nós nos projectamos neles. Daí que talvez seja hora de “acordarmos para a vida”. E escutarmos os adolescentes. O que eles acabaram por nos dizer foi, no fundo:

 

O melhor de tudo são as pessoas.
O melhor da escola são os professores.
O melhor do mundo é o futuro.

*O estudo foi realizado por investigadoras da Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica Portuguesa, da Católica Porto Business School, do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, do Instituto de Saúde Ambiental da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, e pela equipa Aventura Social, em parceria com o projeto Escola Amiga da Criança, da Confederação das Associações de Pais (CONFAP) e da LeYa Educação, com o apoio da EGF.

Observador