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A ESCOLA É UM SÍTIO PARA ENSINAR INTEGRIDADE NÃO A PLAGIAR….. – Luís Braga

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A ESCOLA É UM SÍTIO PARA ENSINAR INTEGRIDADE NÃO A PLAGIAR…..

 

Esta notícia é pessoalmente muito triste e envergonha-me como professor (do quadro de agrupamento) da escola onde se passou – o Agrupamento de Escolas da Abelheira.

 

Mas não pode ser escamoteada do público…

 

Já sabia, há cerca de um mês, e mantive-me calado, à espera que quem tem responsabilidades nos órgãos fizesse o que tem a fazer, até para preservar a imagem da escola.

 

Os que me acompanham aqui viram que, há algum tempo, tenho falado muito de plágio (em abstrato e sem dizer porquê).

 

A Associação de Pais colocou, há dias, ao fim de várias semanas, o assunto num comunicado na sua página. Que foi parar a blogues.

 

Mesmo assim, soube, mas não comentei fora das minhas relações privadas.

 

Agora, que caiu nas notícias, posso falar livremente aqui.

 

O PLÁGIO OCORRIDO É FACTUAL E GRAVE

 

Muita gente vai, usando boataria e cabaneiredo, tentar, mas sem base, negar os factos do plágio (inquestionável na sua prova documental).

 

Até não me espantaria que surgisse a ideia de que isto seja perseguição movida por mim.

 

Fui subdiretor, amigo desde a escola e tenho um processo disciplinar instaurado pelo Diretor em causa, uns dias depois de eu me demitir, por achar que se colou demasiado ao Governo nas questões da luta dos professores e por me ter traído pessoalmente.

 

Mas esse é outro assunto.

 

Isto sempre será notícia pela mesma razão que um homem morder um cão é notícia.

 

Esse exemplo de antologia do que é uma notícia é tão absurdo, como constatar que um diretor e professor (de português) foi apanhado pelos pais a copiar um documento da sua avaliação e de definição dos seus compromissos com a gestão da escola.

 

E se alguém acha normal que continue a fazer-se de vítima, como se verifica nas declarações ao Correio da Manhã, é, agora, a altura de assumir responsabilidades.

 

Quem acha, como diz na notícia do CM, que os seus compromissos com a escola são “chavões” tem realmente de refletir sobre como encara as suas funções.

 

E a notícia aqui é: PROGRAMAS INFORMÁTICOS DE LUTA CONTRA O PLÁGIO PROVAM QUE O DOCUMENTO FOI PLAGIADO COM UM GRAU DE 94% DE SIMILITUDE.

 

Fica o link com a comparação dos 2 documentos. O que está assinalado a cor foi plagiado.

 

https://app.copyleaks.com/report/yj6fi3njymh9n700/preview?key=setlsf9qwvexllaj&suspectId=0f7f03add6&viewMode=one-to-one&contentMode=html&sourcePage=1&suspectPage=1

 

O programa dá estatísticas e prova matematicamente, recorrendo a IA, o facto, mas uma simples leitura, lado a lado, dos dois documentos, por um ser humano, basta para o tornar óbvio.

 

E uma simples pesquisa na internet permite ver que há dezenas de cartas de missão todas diferentes.

 

É mentira descarada que sejam todas sequer parecidas.

 

Há 2 cartas de missão de diretor iguais: a do Seixal (que é a primeira a aparecer numa listagem do Google!!) e a copiada na Abelheira.

 

E não compliquemos o assunto, falando do efeito de privilégio na avaliação que quem plagiou pode retirar do ato face a colegas.

 

OS EFEITOS ORGANIZACIONAIS DO PLÁGIO

 

É uma vergonha e uma prática inaceitável num professor de Português e diretor, que não pode passar em claro.

 

Um desrespeito pela comunidade da escola e pelo Conselho Geral, induzido a aprovar, atrasado (o que já é legalmente altamente duvidoso), um documento que é uma fraude, porque copiado do que foi criado para outra escola (muito diferente da nossa).

 

E o autor, que plagiou um documento inteiro, continuar a negar os factos, é reforçar a ofensa.

 

Há uns anos, um secretário de Estado foi detetado em plágio (uns 7 parágrafos) e teve a dignidade de o constatar, face a provas irrefutáveis, e tirar a conclusão óbvia.

 

Aliás, ao ler a notícia do Correio da Manhã, até parece que o Diretor plagiador acha que a culpa é do Diretor a quem copiou o texto: o texto, afinal, não terá problema nenhum, porque “são só chavões”…..

 

O visado até pode nem se queixar da cópia, mas não se livra da ofensa de ter escrito só chavões….

 

Mas para a ilegalidade do plágio basta, entre outras coisas, a fraude ao órgão que o aprovou, julgando que era original.

 

Afinal, o Estado não paga suplementos a dirigentes para copiarem, mas para serem inovadores nas ideias e nas práticas…..

 

Em suma, para trabalharem, não copiarem.

 

E AGORA?

 

O Conselho Geral do agrupamento tem poderes para agir, se não for resolvido de outra forma.

 

Que pensam fazer os representantes no órgão? Por a mão por baixo disto?

 

Os factos são do conhecimento da DGESTE, IGEC e do Gabinete do Ministro, reconhecido no campo da Linguística e académico a quem, por muito que o critique, não duvido, o plágio abomina, com certeza.

 

Foram reportados às entidades por membros do Conselho Geral e por mim, após o conhecimento público do comunicado da APEEAEA.

 

Vão aceitar como normal e regular um plágio integral, no sítio onde se deve ensinar integridade académica?

 

E, mesmo dando de barato que haja simpatia pelas posições políticas deste diretor (afinal tomou posição contra “radicais grevistas”, nas suas palavras), não há valores mais altos que a mera oportunidade política?

 

E como professor daquele agrupamento, o que faço, quando passar um trabalho de um aluno por um programa de plágio e verificar que copiou?

 

E se ele me responder: “fiz como o diretor”…..

 

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