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4ª Feira – “Há quem ache que o problema a falta de candidatos à docência é o nível das habilitações.” – Paulo Guinote

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Ontem, ao início da tarde tive uma longa vídeo-conversa com uma colega que tinha pedido para falar comigo, alguém com quem não estava pessoalmente há 22 anos, pois fomos colegas por duas vezes, a abrir e fechar os anos 90 do século passado. Neste momento, está colocada a mais de 200 km e por isso mantivemos um contacto esporádico, principalmente via redes sociais, mas ela pediu-me para falar, porque precisava de desabafar antes do arranque do novo ano lectivo. Com 54 anos, está numa daquelas situações que a pretensa racionalidade da gestão dos recursos humanos na Educação criou ao longo dos últimos 15 anos.

Para além de outros problemas de saúde, está de tal forma deprimida com tudo o que envolve o quotidiano escolar que lhe basta ouvir a palavra “escola” para começar a chorar convulsivamente, o que pude confirmar. A forma como a Escola, a nível de enquadramento global, mas também no plano a gestão de proximidade, a tem tratado, concentra vários dos piores vícios de um modelo mau, aplicado por pessoas de carácter duvidoso e que não perdem a oportunidade para se aproveitar da fragilidade alheia. Não vou aqui fazer um relato de tudo o que se passou, porque já tod@s conhecemos os abusos em desenvolvimento, quantas vezes apresentados como “boas práticas” por gente insensível e abusadora. Apenas diria que se chegou ao ponto de ter sido avaliada por alguém (coordenadora) que concorria às mesmas quotas que ela (por ter optado pelo regime geral), quando isso é completamente inadmissível, mas ninguém parece ter-se incomodado lá pelo sítio, muito menos uma sadd que, como quantas outras, não se percebe se é formada por gente profundamente ignorante ou se apenas por gente sem coluna vertebral.

A esta colega, que nada tinha a pedir sem ser quem a ouvisse e desse algum apoio moral, apesar de estar numa situação de saúde profundamente frágil e sem condições para dar aulas, algo certificado não apenas pelos seus médicos, mas também por várias Juntas Médicas que recomendaram que não desse aulas, terá sido certamente atribuído um horário, de acordo com as directrizes da tutela. Sabendo-se que na primeira semana de aulas, haverá umas três turmas do Secundário a ficar sem professora de uma das suas disciplinas nucleares. Mas o ministro Costa afirmou que ase 100% dos horários foram distribuídos e que os que faltam ocupar são quase só de TIC. Só que ele se especializou na verdade mitigada. Sim, podemos distribuir milhares de horários a pessoas que se sabe estarem sem condições e com isso ainda agravar mais o seu estado. Uma crueldade, em termos morais, e uma estupidez, em termos de gestão. Embora conveniente em termos mediáticos e de propaganda e desresponsabilização. Não vou ao ponto de ofender os conhecimentos do ministro Costa, insinuando ou afirmando que ele desconhece este tipo de situações. Só que tudo aponta para que a ele nada disto interesse, se existir a necessidade de mistificar a opinião pública e apresentar-se como o bonzinho da fita.

Se a muit@s director@s restasse algum pingo de solidariedade, isto poderia ser travado ou minimizado, se não existisse o medo de sofrer represálias ou se não tivesse crescido exponencialmente o lambe-botismo a começar em algumas “lideranças inovadoras”. Em vez disso, transcrevo o que me enviou outra colega no início da semana, sobre a forma como o seu “lider” decidiu tratá-la:

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