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Medidas Universais de Suporte à Aprendizagem ou Medidas Universais de Sucesso Automático?

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No verão de 2018 o ME lançou dois lindíssimos decretos, um sobre a flexibilização curricular, do qual já questionei, aqui “A Flexibilização é uma farsa?, a sua funcionalidade, e outro sobre a inclusão, um decreto que veio substituir o já “velhinho” 3/2008.

Pois bem, se sobre o primeiro já tentei explicar porque é que não funciona, tentarei explicar a minha visão sobre este DL 54/2018.

Antes chamaria a vossa atenção para a seguinte pirâmide:

Percebemos desde já que o facto das medidas serem apresentadas em pirâmide não é aleatório, tem um indicação clara de que a dificuldade vai diminuindo consoante as dificuldades. E não escrevi esta frase ingenuamente, “a dificuldade vai diminuindo consoante as dificuldades” e se isto descontextualizado até pode parecer bonito, contextualizado é de uma tremenda injustiça!

Hoje qualquer aluno, ao abrigo deste DL, pode ter as chamadas Medidas Universais e com elas “usufruir” de tudo o que nelas estão inscritas, ou seja, à mínima dificuldade, o professor, pode e deve colocar um ou todos a “usufruírem”, dando um claro sinal de que as dificuldades superam-se, não com mais trabalho, mas sim com a adaptação do mundo a cada um de nós!

Esta mensagem, por si só, é errada para quem quer que seja, mas sobretudo para as crianças, porque a vida com certeza não lhes dará as Medidas Universais, na universidade, no seu emprego e etc…

Quanto as Universais não chegam, há ainda as Seletivas e por fim temos as Adicionais, que são os graus diminutivos, no que respeita à dificuldade, das primeiras.

Até concordo que se abandone algumas nomenclaturas que pudessem excluir, tais como Necessidades Educativas Especiais, Medidas de Apoio para alunos com NEE, mas daí a passarmos para o total facilitismo parece-me um passo perigoso!

Se não, reparemos, um aluno neste momento transita ou é aprovado sempre. Caso não aconteça, o único que será posto em causa é o professor que não soube “adaptar o mundo” aquela criança, nem sequer se questiona se o aluno é aplicado ou não! E isto é grave por duas razões:
A mensagem que se dá às crianças/jovens é de que faça ele o que fizer, alcançará a escolaridade obrigatória.
A mensagem que se passa aos demais é de que o esforço não compensa, pois o resultado no fim é igual.

Percebo a ideia, idílica, de taxa de retenção zero, abandono zero e mais uns tantos gráficos reveladores da maravilhosa política, mas a realidade é bem diferente dos PPT´s ilustrados!

A realidade é que se está a cair num poço sem possibilidade de retorno, os alunos podem tudo, não trabalhar, não fazer, não se esforçarem, apresentarem níveis de indisciplina altíssimos, mas no final uma coisa é certa, passarão, passarão porque dão imenso jeito que apareçam em forma de números no futuro Power Point, dando indicações do enorme sucesso da medida!

E isto é grave, porque os alunos de hoje, que serão os adultos amanhã, não perceberão como reagir a uma adversidade na própria vida! Esperarão que alguém lhes aplique as Medidas Universais, Seletivas ou Adicionais?

Para além de tudo o que tentei explicar, continuo a dizer que, e repito, repito até que alguém me oiça, enquanto não se devolver às escolas a pacificidade, seja ao nível da dignificação da profissão, seja ao nível da indisciplina crescente a quem ninguém põe a mão, as medidas serão sempre apresentadas em número bonitos para plateias controladas, mas a realidade continuará longe, muito longe!

Alberto Veronesi

2 COMENTÁRIOS

  1. Cada cabeça sua sentença? Tudo medidas que apenas indicam duas coisas: ou a falta de orientação ou então uma orientação muito concreta que visa, a médio e longo prazo, destruir o sistema educativo em Portugal. A sensação é de que algures no início deste século XXI se perdeu a orientação do que queremos ser como Nação. O certo é que o desinvestimento no nossos sistema educativo veio a diminuir progressivamente e não falo nem de carreiras nem de ordenados.

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