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Respondendo ao repto de João Costa – Por Luis Costa

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João Costa diz que as escolas devem preocupar-se mais com o ensino e menos com a preparação dos alunos para os exames. Decidi abraçar, de alma e coração, a recomendação do nosso insigne secretário de Estado. Aqui fica, pois, a receita para quem quiser fazer a coisa bem feita.


Receita de Sucesso
Pegue no mesmo programa dos anos anteriores (muito extenso, por defeito, e só exequível em condições ideais). De seguida, reduza a carga horária dessa disciplina (45 minutos semanais, por exemplo), desvalorize as faltas de presença, relativize a indisciplina e transmita a alunos e encarregados de educação a ideia de que a transição é o rendimento mínimo garantido da educação. Terminada esta fase prévia, crie um sofisticado garrote burocrático de monitorização e adicione ao processo as essências de flexibilidade e inclusão que o Ministério da Educação recomenda. Depois, aplique a solução obtida a todas as escolas. É claro que se tratar de uma escola TEIP, com turmas de máxima heterogeneidade, integrando, entre outras realidades, vários alunos com necessidades educativas especiais, deve ser muito mais generoso nas doses de flexibilidade e inclusão. E deixe levedar, mas não muito, para o resultado não ser exageradamente balofo, pois pode dar em rebentação. Por fim, para condimentar a iguaria, conferindo-lhe um exótico sabor agridoce, polvilhe-a, de forma repetida, com um sem-número de atividadezinhas (DAC, PES/PRESSE, PMS, Dia A, Semana B, Visita C…). De comer e chorar por mais! Uma loucura! Vai ver que ensina e educa a valer! O dia a dia na escola será um autêntico toca a aprender, em toda a linha!
Depois deste autêntico manjar dos deuses, preparado com tanta racionalidade, rigor, equilíbrio e generosa dedicação à causa do verdadeiro ensino, só lhe resta uma atitude vertical: seja implacável com os incompetentes dos professores que não cumprirem o programa, ou a planificação, ou as metas, ou as competências essenciais (ou lá o que é) com 100% de sucesso ou algo situado nos seus eufóricos arrabaldes. E porrada naqueles que se atreverem a preparar os alunos para o exame sem os ensinarem!
Se os alunos não aprenderem assim, então não sei como vão aprender!
 

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