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Liderança Escolar

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A liderança escolar

A natureza da organização escolar é complexa, pois é composta por um conjunto de pessoas que, num ambiente dinâmico, interatuam cooperativamente, estabelecendo relações entre si de forma a atingirem um objetivo comum. Neste contexto, a eficácia da escola requer uma liderança autêntica que seja sensível aos valores, às crenças e às necessidades da comunidade local. Muitas vezes, as maiores limitações da liderança vêm do facto de se transferir para as escolas modos, características e estilos de conduta que funcionaram bem nas organizações industriais, ignorando a especificidade da escola como organização.
Os administradores escolares dependem amplamente da liderança como veículo principal para influenciar os membros da comunidade escolar a voluntariamente mudar as suas preferências, contribuindo também para o desenvolvimento de uma cultura/visão própria da escola.
O sistema educativo português não conseguiu ainda libertar-se do modelo de organização burocrático, propiciador da rotina e da inércia, inibidor dos processos de inovação, de criatividade e de mudança. Mas, para gerir uma escola com autonomia, numa sociedade de conhecimento cada vez mais global, este modelo burocrático definitivamente não serve. Não serve o gestor burocrata nem os profissionais com cultura de “funcionalismo”.
A gestão pretende assegurar o funcionamento regular da organização recorrendo, para o efeito, aos meios já previstos, mas terá de ser substituída pela liderança que cria ou altera os processos, de modo a aproveitar as oportunidades num mundo em constante mudança.
Para reorganizar a escola é necessário um modelo de gestão flexível, baseado na confiança, na liderança partilhada, na autonomia e na abertura que facilite e promova a participação crítica de todos. Este envolvimento implica valorizar a cultura de escola e o trabalho em equipa, em detrimento do individualismo. Se é verdade que todo este processo é muito novo e vai demorar algum tempo a ser assimilado e implementado, o que nos parece é que a mudança está em boa parte nas nossas mãos. Só com a reflexão e a prática de todos, podemos contribuir para o aumento da qualidade da educação, imperativo nacional numa sociedade global.
Isto muda radicalmente o papel dos gestores, cuja missão principal passa pela capacidade de intervir ao nível de fatores de suporte, de forma a criar condições para que os fatores pessoais encontrem condição para se transformarem em competência.
Como sabemos, numa cultura organizacional onde o conhecimento do outro é uma ameaça ao “status” dos seus superiores hierárquicos, esta mudança é profunda e difícil de realizar.
As escolas e os seus líderes encontram-se, por isso, diante de situações problemáticas singulares e a sua função é enfrentá-las. Esta posição não é fortuita, pois resulta precisamente de um processo de descentralização que deixa ao nível local o poder de decidir perante as contradições que o sistema educativo não conseguiu resolver.
A autonomia é acompanhada de responsabilidade e obriga a correr riscos. Se os pais, alunos ou corpo docente protestam, o líder já não os pode encaminhar para um patamar superior com tanta facilidade como no passado. Ele está na “linha da frente” e só deve aceitar fazer parte do problema e da solução.
Não se pode uniformizar a função do diretor escolar, nem mesmo no seio de um único sistema educativo, na medida em que os quadros pertencem a gerações diferentes, foram nomeados para esse cargo em fases divergentes da história da organização, segundo perfis, aspirações e competências distintas.
Conceber uma escola eficaz implica mais do que uma liderança autêntica e genuína, é necessário envolver uma gestão logística traduzida num excelente planeamento, em práticas de gestão saudáveis, aplicação eficaz, sensibilidade política, bem como na capacidade de comprometimento na prática.
Liderar não é uma tarefa simples, pelo contrário, a liderança exige paciência, disciplina, humildade, respeito e compromisso, pois a organização é um ser vivo, dotado de colaboradores dos mais diferentes tipos. Dessa forma, podemos definir liderança como o processo de conduzir um grupo de pessoas. Para Ferreira et al. (2001: 377) “(…) liderar implica a existência de um indivíduo que tem capacidade de influenciar um grupo de indivíduos”. É uma “qualidade que se aprende e desenvolve” (Carapeto e Fonseca, 2006 p85), para motivar e influenciar os liderados para que contribuam da melhor forma com os objetivos do grupo ou da organização, de modo a satisfazer as necessidades dos indivíduos e alcançar o sucesso.
A liderança tem como antecedentes o comando e o controlo num contexto social e cultural de personagens de referência. Deste modo, a liderança tem sido entendida como as características que o líder deverá possuir a fim de exercer uma influência (não coerciva) como relação de poder para atingir objetivos organizacionais.
De acordo com Moscovici (2003), líder é o sujeito a quem foi atribuído, formal ou informalmente, uma posição de responsabilidade para dirigir e organizar as atividades relacionadas com o desempenho de funções.
As conceções sobre o que é uma boa liderança evoluíram ao longo do tempo, em paralelo com as teorias de gestão, o que motivou inúmeros estudos empíricos sobre modelos de liderança. O estilo de liderança é influenciado pelo contexto e pelas características do próprio sujeito. Porém, o líder deverá conciliar adequadamente estes dois fatores e escolher o estilo de liderança mais adequado para o momento. Contudo, não existe um estilo de liderança “universal e ideal” que se enquadre a todos os indivíduos e situações.
Parece ser necessário sublinhar o papel essencial que a liderança deve desempenhar tanto no desenvolvimento organizativo da escola, como no próprio desenvolvimento profissional dos recursos humanos ao seu dispor. A sua função na mudança é diversificada: desde facilitar as tarefas, oferecer e difundir uma visão da organização e do ensino, estruturar a escola como local de trabalho, participar na tomada de decisões, partilhar responsabilidades e prestar apoio à consecução dos objetivos.
A liderança (formal) nas escolas apresenta funções de cariz muito diferente, assim, a direção da instituição educativa tem, em princípio, funções administrativas cujo cumprimento é indispensável ao bom funcionamento da escola e sem as quais os colaboradores se sentiriam limitados no desempenho da sua missão. Para além de conseguir um clima positivo de relações interpessoais, a liderança deve preocupar-se com a melhoria do currículo e da aprendizagem dos alunos.

Alberto Veronesi

Bibliografia

Carapeto, C., Fonseca, F. (2006). Administração Pública – Modernização, Qualidade e Inovação. Lisboa: Edições Sílabo, 2ª edição

Carvalho Ferreira, J. M. et al. (2005) Manual de psicossociologia das organizações. Lisboa: McGraw-Hill

Moscovici (2003). Representações sociais: investigações em psicologia social. (2. ed.) Petrópolis: Vozes.

 

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