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UM PROFESSOR INDIFERENCIADO NUMA ESCOLA IRRELEVANTE E INÚTIL – Por Gabriel Vilas Boas

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A escola portuguesa vive um momento de viragem perigoso, que a pode tornar irrelevante e inútil para a maioria dos jovens portugueses. A teia está montada e será muito difícil quebrar o ciclo vicioso em que caímos.
Uma geração de professores competentes e conhecedores,(ainda que muitos deles desfasados face ao modo de conectar Escola com as exigências da sociedade atual) está cansada, desencantada e sem forças para lutar contra a incompetência de quem não sabe fazer nem deixa quem sabe executar o que tem de ser feito.

Do outro lado da barricada, um conjunto de governantes tecnocratas, que apenas conhecem o eduquês, e que querem tornar a Escola um espaço onde apenas se passa o tempo e se aprende superficialmente alguns conteúdos, na condição de todos obterem aprovação.

Percebendo que encontraram cada vez menos professores competentes para estar nas escolas, os governantes portugueses tudo farão para retirar “conteúdo” ao ensino, obrigando os professores a aligeirar na avaliação, retirando carga letiva a disciplinas essenciais do currículo com é o caso de História e enchendo o horário dos alunos de atividades multidisciplinares, onde qualquer um pode ser professor.

Daqui a pouco tempo, teremos um novo tipo de professor na escola – o professor indiferenciado. Aquele que tanto dará aulas de cidadania, como ensinará os alunos a andar de bicicleta ou coordenará as atividades que envolvem a flexibilidade escolar.

Quando alguns pais olharem bem para o horário dos seus filhos, perceberão finalmente que grande parte do tempo não será ocupado a aprender Química, Biologia, História, Francês ou Geografia. Nenhuma dessas disciplinas terá mais de dois tempos letivos semanais, mas entretanto crescerá o tempo para o professor indiferenciado.

E aqueles alunos que querem aprender, onde terão lugar? Nas escolas privadas! O último refúgio de quem queira e possa pagar um ensino com alguma qualidade, organização visão.
Oficialmente todos terão a oportunidade de andar doze anos na escola, mas só quem tiver dinheiro poderá fugir a uma escola irrelevante, faz de conta e pouco útil.

O sonho de Abril irá esfarelar-se entre os dedos daqueles que o criaram. Esses mesmos legarão aos netos um simulacro da verdadeira liberdade que tanto sonharam.

Gabriel Vilas Boas

Fonte: https://setepecadosimortais7.blogspot.com