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Sinto que os meus professores não desistiram de nós – Madalena Camacho

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Escrevo esta crónica na condição de aluna universitária que se vai licenciar no final do ano letivo mais estranho da história da minha curta vida.

Não pretendo falar em nome dos meus colegas deste nosso Portugal. Sou apenas uma voz no meio da tempestade.

Quero, primeiro que tudo, agradecer o esforço que vejo ser feito por parte dos meus professores, que têm famílias com quem se preocupam, milhares de emails por responder, que tentam dar o máximo de apoio aos seus alunos e, que pelo meio, têm direito a ler o seu livro ou a ver um episódio da sua série preferida, mas escolhem não o fazer muitas vezes para dar uma ajuda adicional aos seus alunos. Agradeço-lhes o esforço, a sensibilidade e o humanismo, de que tanto precisamos nos dias que correm. Sinto que os meus professores não desistiram de nós, que nos querem formar e ver licenciados no final do ano, com as bases certas para enfrentarmos um mercado de trabalho que vai estar virado do avesso quando nele entrarmos como fetos da sociedade.

Posto isto, quero salientar que, no meio de tudo o que tenho lido, ouvido e discutido durante a pandemia, os alunos universitários (os próximos portugueses a ingressar no mercado de trabalho) têm sido esquecidos ou empurrados para um canto. Ninguém parece falar sobre o assunto, numa realidade que é comandada pelas direções das universidades, as quais, por claras razões, são neste momento de crise quem nos guia. Estas direções (e não falo de todas) parecem estar a exigir aos nossos professores que nos preparem através das mesmas metodologias e avaliações, mesmo sabendo que eles não nos podem dar o apoio ideal que as aulas presenciais providenciam.

Como tantos alunos de outras áreas, temos projetos de maior envergadura de que as nossas notas, portfólio e currículo dependem em grande parte. Ora, as metodologias que anteriormente nos pareciam normais têm de ser ajustadas às novas circunstâncias. Mas não são. E não apenas os professores não são super-homens e mulheres elásticas como os alunos estão com os nervos em franja em relação ao seu futuro, o qual, pelo menos no imediato, depende destes projetos, trabalhos de grupo, testes e frequências. Um alívio é aqui exigido. Um alívio que pode nascer de um apoio maior por parte das direcções e que vá para além dos emails gerais a aplaudir a persistência e a perseverança de docentes e alunos.

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