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“Se se reabrir as escolas, haverá um grande aumento no número de reprodução” – Marco Ajelli

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A uma semana da reabertura das creches e do ensino secundário, este para algumas disciplinas, sinto que ninguém está tranquilo.

A comunidade escolar, diretores, professores, alunos e encarregados de educação estão divididos.

Os pais dividem-se entre  terem de recomeçar a trabalhar, e consequentemente terem onde deixarem os seus filhos , e o não quererem colocar a saúde dos filhos em causa.

Os diretores, alguns já deram a volta ao protocolo e arranjaram forma de minimizar possibilidades de contágio.

Os alunos, entre a entrada na universidade, algo que podia e devia ter sido alterado este ano ou adiando exames ou mudando mesmo as regras, e a própria saúde.

Ninguém está tranquilo porque a comunidade médica e cientifica também não está.

A cada dia aparece um novo estudo que deita por terra a tese anterior, às vezes vemos a luz outras vezes mais uns quilómetros de negritude…

Acho que nesta altura deveríamos estar  a preparar o próximo ano letivo, como tive oportunidade de escrever aqui, passagem administrativa para todos e acesso à faculdade adiada para setembro sendo que seriam as Universidades as responsáveis por esse processo.

Deixo-vos com a notícia que originou o título…


Por todo o mundo, as escolas começam a reabrir e a questão volta a ser colocada: como são as crianças afetadas pelo novo coronavírus e que riscos tem ao seu regresso ao convívio escolar? Depois de haver trabalhos de cientistas a apontar que os mais novos não são provavelmente transmissores do vírus, surgem agora novas estudos com conclusões no sentido inverso e que geram preocupações sobre os contactos nas escolas.

Dois novos estudos apresentam evidências convincentes de que as crianças podem transmitir o vírus. Nenhum dos dois trabalhos científicos provou em definitivo que tal ocorre, mas as evidências recolhidas parecem ser suficientemente fortes para sugerir que as escolas deviam ser mantidas fechadas por enquanto, dizem epidemiologistas que não participaram nestes estudos.

Num estudo publicado na semana passada na revista Science, uma equipa analisou dados de duas cidades da China – Wuhan, onde o vírus surgiu pela primeira vez, e Xangai – e descobriu que as crianças eram suscetíveis à infeção por coronavírus em cerca de um terço em relação aos adultos. Mas, quando as escolas foram reabertas, os investigadores verificaram que as crianças tinham cerca de três vezes mais contactos que os adultos e três vezes mais oportunidades de serem infetadas.

Com base nestes dados, os cientistas de várias nacionalidades estimaram que encerrar escolas não é suficiente por si só para conter um surto, mas pode reduzir o aumento em cerca de 40 a 60% e retardar o curso da epidemia.

“A simulação mostra que sim – se se reabrir as escolas, haverá um grande aumento no número de reprodução, o que é exatamente o que não se deseja”, disse Marco Ajelli, epidemiologista matemático que participou no trabalho enquanto estava na universidade. Fundação Bruno Kessler em Trento, Itália.

O segundo estudo, realizado por um grupo de investigadores alemães, foi mais direto. A equipa testou crianças e adultos e descobriu que as crianças que testam positivo abrigam tanto vírus quanto os adultos – às vezes mais – e, portanto, presumivelmente, são igualmente infecciosas.

Podemos tirar conclusões definitivas destes estudos? “A resposta é: não, claro que não”, disse Jeffrey Shaman, epidemiologista da Universidade de Columbia ao The New York Times, cientista que não participou em nenhum dos estudos. Mas considera que “abrir escolas por causa de alguma noção não investigada de que as crianças não estão realmente envolvidas na transmissão, será uma coisa muito tola”.

O estudo alemão foi liderado por Christian Drosten, um virologista que ganhou um estatuto de celebridade nos últimos meses por causa dos seus comentários bem definidos e claros sobre a pandemia. Drosten lidera um grande laboratório de virologia em Berlim que testou cerca de 60.000 pessoas ao coronavírus. Consistente com outros estudos, o alemão e os colegas encontraram muito mais adultos infetados do que crianças.

A equipa também analisou um grupo de 47 crianças infetadas entre 1 e 11 anos de idade. Quinze delas tinham uma condição de saúde subjacente ou foram hospitalizadas, mas as demais estavam livres de sintomas. As crianças que eram assintomáticas tinham cargas virais tão altas ou mais altas que as crianças ou adultos sintomáticos.

Observou ainda que a carga viral de uma pessoa acompanha de perto a sua infecciosidade. “Por isso, estou um pouco relutante em recomendar alegremente aos políticos que agora podemos reabrir creches e escolas”.

Drosten disse que publicou o estudo no site do seu laboratório antes da revisão por pares, devido à discussão em curso sobre a reabertura das escolas na Alemanha.

Fonte: DN

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