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Professores, pais e alunos à beira de um ataque de nervos – José Cabrita Saraiva

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Algumas crianças viveram ontem o seu primeiro dia de um novo ano letivo cheio de novidades. As escolas estão a levar a sério – ou até mesmo com algum exagero – os riscos do contágio, pelo que as regras são apertadas. O aumento do número de infeções pelo novo coronavírus assim o exige e há que tentar a todo o custo evitar a segunda vaga de covid-19, que parece estar iminente ou mesmo a grassar na Europa.

Para já, o que se antevê é que, com tantas regras e proibições, os recintos escolares se transformem cada um num pequeno pandemónio, com professores e alunos a terem de lidar com mais um problema para o qual não estavam preparados. E não será difícil prever que a coisa se tornará pior assim que começarem a surgir os casos suspeitos.
No meio das novas regras e preocupações, os professores terão cabeça para dar a matéria? E os alunos estarão com disponibilidade para aprender?

Mas há mais: mesmo todas as medidas e cuidados propostos pela DGS acabarão provavelmente por revelar-se insuficientes. Com a chegada do frio e da chuva, e os alunos metidos em espaços fechados, dificilmente poderia ser de outra forma. Para impedir novos surtos seriam necessárias outras instalações e outros meios humanos que não temos.

Ou seja, o mais certo é que, apesar de tantos esforços, mais cedo ou mais tarde algumas escolas sejam novamente forçadas a encerrar as portas. Essa possibilidade deixa alguns pais, que têm os seus filhos em casa desde finais de fevereiro (entre os quais me
incluo), verdadeiramente à beira de um ataque de nervos. Continuar a conciliar o trabalho com os filhos em casa e com as tarefas domésticas será um quebra-cabeças difícil de resolver e um teste à sua sanidade mental. Há, pois, que começar a estudar alternativas
– de preferência com ideias que possam fazer a diferença, e não apenas com números, estatísticas e orçamentos. Para já, talvez se pudesse começar a equacionar programas
mais curtos e mais ensino fora das quatro paredes da sala de aula.

 Jornal I

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