Início Editorial Professores, estamos onde merecemos e daqui não saíremos!

Professores, estamos onde merecemos e daqui não saíremos!

2004
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Está convocada greve para os próximos dias 2, 3, 4 de dezembro e para o pessoal docente e não docente. Esta greve foi convocada pelo sindicato STOP.

Quantos de vós sabe desta greve?

Na semana seguinte a Fenprof também convocou uma para dia 11, neste caso para o pessoal docente.

E desta, quantos saberão?

O que nos parece é que nem uma nem outra terão grande adesão e simplesmente porque cada vez mais os professores na hora de lutar se acobardam e enchem-se de desculpas para não fazer greve.

Podem dizer o que quiserem mas a única “arma” que temos é a greve! Assim de repente não conseguimos vislumbrar outra forma de luta.

Perguntamos se estão todos contentes com a forma como tem decorrido o primeiro período nas escolas?

Pergunto se todos se sentem realmente seguros ou apenas se sentem próximos de uma inevitabilidade, contrair o vírus?

Estamos nas escolas como se estivéssemos num jogo de sorte em que o governo nos deixou a jogar uns com os outros a ver quem se “safa”. Sorte! É à sorte que fomos deixados!

E perante isso temos uma hipótese, mostrar o nosso desagrado, fazendo greve!

A culpa das escolas funcionarem com poucos recursos sejam humanos sejam técnicos não é só da tutela é de quem está no terreno e aceita que assim seja, contra nós próprios falamos, em prol dos alunos como se fossemos missionários.

Nós temos aquilo que merecemos porque não exigimos mais, porque nos contentamos com pouco, porque agradecemos tudo o que nos dão como se não fosse obrigação darem-nos muito mais!

Se o cirurgião chega ao bloco e não tem recursos cancela a cirurgia!

E nós o que fazemos? Esperamos que alguém lute por nós! Os outros que façam greve que eu não quero perder o meu dinheirinho!

Somos uma classe condenada ao fracasso da nossa dignidade!

Assim, meus caros, não vamos lá! Jamais sairemos da cepa torta!

Razões para fazeres greve:

Observa:

  • da valorização da carreira dos docentes da Educação Pré-Escolar e dos Ensinos Básico e Secundário (recuperação dos 6 anos, 6 meses e 23 dias ainda em falta; fim das ultrapassagens; desbloqueamento das progressões aos 5.º e 7.º escalões); e valorização das carreiras docentes do Ensino Superior e Investigação;
  • da aprovação de um Contrato Coletivo de Trabalho que respeite, em todas as dimensões, o exercício da profissão docente no ensino particular e cooperativo;
  • da despenalização, de imediato, da aposentação de todos os docentes com 40 anos de serviço e descontos, independentemente da idade, e sem aplicação do fator de sustentabilidade;
  • do pôr termo aos abusos e às ilegalidades que continuam a afetar os horários de trabalho dos docentes;
  • do combate de forma determinada e efetiva a precariedade que continua a afetar muitos milhares de docentes e investigadores;
  • da melhoria das condições de trabalho nas escolas, desde logo reduzindo significativamente o número de alunos por turma;
  • de medidas que ponham cobro às situações de violência sobre os profissionais da Educação e do Ensino;
  • da calendarização da remoção de todo o amianto existente nas escolas e informar as comunidades educativas dessa calendarização;
  • do reversão do processo de municipalização da Educação e do início da reflexão e do debate sobre a Regionalização;
  • da democratização da gestão das escolas / agrupamentos;
  • da reversão da desorçamentação da Educação, reforçando gradualmente o seu financiamento público, de forma a que, até final da atual legislatura, atinja os 6% do PIB;
  • da revisão do Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior, designadamente em relação ao seu financiamento, gestão e natureza jurídica;
  • e pelo Respeitar a liberdade e os direitos sindicais, incluindo o direito à greve, bem como a representatividade das organizações sindicais. 

    Se estas justas reivindicações não são suficientes para fazeres uma greve, então começamos seriamente a pensar que cada um tem aquilo que merece e pelo qual (não) luta.

    A pergunta para um milhão é: O governo poupa mais com a greve que faças ou com todas estas reivindicações?

A equipa VozProf

 

 

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