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Prioridades | Juntas de Lisboa perdem verba para atividades das férias escolares

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A Câmara de Lisboa decidiu cortar o apoio financeiro que tinha intenção de atribuir às Atividades de Animação e Apoio à Família (AAAF) e ao Componente de Apoio à Família (CAF) organizadas pelas Juntas de Freguesia.

A verba ia ser atribuída pela primeira vez este ano, excecionalmente, por causa da pandemia covid-19, mas a autarquia recuou alegando constrangimentos financeiros. “Não há dinheiro extra disponível e vamos manter o modelo dos anos anteriores”, explicou ao JN fonte do gabinete do vereador dos Direitos Sociais, Manuel Grilo. Uma decisão que apanhou de surpresa alguns autarcas, que já estavam preparados para receberem a verba.

O vereador dos Direitos Sociais, Manuel Grilo, informou, esta manhã de quinta-feira, as Juntas de Freguesia, que tinha “intenção de abrir os CAFs e AAAFs, extraordinariamente, durante o mês de agosto”, mas que já não o vai fazer. “Infelizmente, devido a uma série de constrangimentos não nos é possível apoiar-vos para a execução desse mês. A necessidade de abrirem no mês de agosto para resposta aos alunos dos jardins de infância e EB1 das escolas públicas fica sem efeito. Ou seja, nada se altera face aos anos anteriores”, lia-se na nota.

A notícia não foi bem recebida pelas Juntas de Freguesia, que já contavam com a verba. O presidente da Junta de Freguesia de Carnide, Fábio Sousa, que espera 300 crianças nas atividades de verão, está preocupado. “As crianças e famílias que precisam de apoio durante o mês de agosto são aquelas que apresentam maiores fragilidades sociais e a comparticipação da câmara seria significativa”, considera o autarca.

“Fomos todos apanhados de surpresa. Tanto os pais, como as juntas de freguesia e as entidades dinamizadoras das atividades. Parece que a pandemia para a Câmara acabou, mas ainda há muita gente em lay-off, com perda de rendimentos ou que ficou desempregada. Temos de lhes dar suporte para terem os filhos em segurança”, explica. “Quando Lisboa é dos poucos locais onde a covid-19 ainda está tão presente não percebemos como é que é tomada esta decisão”, repara ainda.

O presidente da Junta de Freguesia de Santo António, Vasco Morgado, que conta com 50 crianças para agosto, partilha a mesma “desilusão”. “Abandonaram as juntas e os pais em pleno agosto, é inadmissível. Alguns pais trocaram férias para ajudar as empresas onde trabalham, porque ficaram descansados e seguros de que tinham onde pôr os filhos”, critica.

Os autarcas esperam que a Câmara recue na decisão, mas caso não o faça garantem que não vão deixar de realizar as atividades, recorrendo, para isso, ao próprio orçamento das Juntas. “Como é óbvio vamos chegar-nos à frente e fazer o investimento que tiver de ser feito para não prejudicar ainda mais as pessoas, mas não devia ser assim”, frisa Vasco Morgado.

Muitas juntas poderão ter, porém, mais dificuldade. “Não vamos deixar as famílias sem suporte e vamos recorrer ao nosso orçamento, mas muitas juntas com orçamentos limitados, que perderam receitas gigantes, não vão conseguir”, lamenta Fábio Sousa.

O autarca lembra ainda que “há trabalhadores contratados para estas atividades e, não havendo financiamento camarário, vão ser dispensados durante este mês”. “No nosso caso é gestão direta, mas há um conjunto de entidades que prestam este serviço e assim vão ser dispensadas”, observa.

Fonte: JN

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