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O regresso às escolas: uma data possível e uma mão cheia de perguntas

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Se tudo correr bem, os alunos do 11º e do 12º serão os primeiros a reabrir as portas das escolas, encerradas desde 16 de março. Mas antes de o fazerem – a data mais provável em cima da mesa é agora a de 18 de maio – é preciso preparar os espaços e garantir que dentro das salas as regras de distanciamento e higiene estão garantidas para proteger jovens, professores e funcionários de novos focos de contágio.

Isso mesmo lembra a Associação de Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), numa carta enviada esta segunda-feira ao ministro da Educação. Logo à partida, é necessário que as escolas recebam “em tempo oportuno” orientações sobre “assuntos fulcrais”, como o número máximo de alunos por sala de aula ou condições de distanciamento.

E tão ou mais importante é a aquisição de material de higienização e de proteção individual, como luvas e máscaras, em quantidades suficientes e face à realidade de cada estabelecimento de ensino, o que “até ao momento não se concretizou”. O uso de máscaras vai ser obrigatório por parte de todos os que circulem dentro das escolas.

Mas a frequência das aulas depende da decisão dos encarregados de educação. E se for sua vontade que os filhos continuem a estudar em casa, as faltas são consideradas justificadas “sem necessidade de qualquer requerimento ou atestado”, declarou António Costa, a 9 de abril, quando anunciou que as escolas do ensino básico não iam voltar a abrir este ano letivo e que apenas os estudantes do 11º e do 12º poderiam vir a ter aulas presenciais.

Outro problema que tem de ser resolvido prende-se com o número de professores que vão também voltar às salas de aula. Na conferência de imprensa da Direção-Geral da Saúde, esta segunda-feira, Graça Freitas garantiu que serão tidas e conta as condições de idade e doença que impliquem mais riscos no caso da Covid-19.

De acordo com as estatísticas mais recentes do Ministério da Educação, 14% dos professores dos quadros têm 60 ou mais anos e integram, por isso, os chamados grupos de risco. A estes juntam-se ainda os que foram de patologias como diabetes ou problemas cardíacos. E se as turmas forem divididas de maneira a garantir menos alunos por sala, poderá ser necessário um reforço de docentes, têm avisado os diretores.

UM CALENDÁRIO EM AVALIAÇÃO

Já a questão da desinfeção dos espaços escolares vai ser assegurada por 400 militares das Forças Armadas, distribuídos por 80 equipas (60 do Exército e 20 da Marinha), tal como foi anunciado pelo Chefe de Estado Maior General das Forças Armadas, no Parlamento. O Expresso sabe que a operação arranca ainda esta semana.

Sobre a possível data de reabertura das escolas secundárias a 18 de maio e das creches apenas a 1 de junho, noticiadas domingo à noite pelo Público e pelo Jornal de Notícias, António Costa declarou esta segunda-feira tratar-se de “hipóteses de trabalho”. E que falta ainda ouvir os peritos de saúde (terça-feira) e os parceiros sociais e partidos com assento parlamentar (quarta-feira) para que possa ser anunciada uma decisão no final do Conselho de Ministros da próxima quinta-feira.

Recorde-se que a primeira data falada pelo Governo remetia para 4 de maio, caso a evolução da epidemia o permitisse. Entretanto, António Costa anunciou a extensão do ano letivo até 26 de junho (o calendário normal previa o fim do 3º período a 4 desse mês), permitindo assim uma maior folga na decisão de reabertura das escolas.

Se a data de 18 de maio se confirmar, os estudantes do 11º e do 12º ainda conseguirão ter cerca de um mês de aulas presenciais.

Fonte: Expresso

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