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O processo de aprendizagem exige esforço

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Nos últimos anos foi-se generalizando a ideia de que para aprender não é necessário nem esforço nem empenho, nem dedicação.

Parece-me que não há mensagem mais incorreta e perigosa que essa.

Com ela estamos a desresponsabilizar, totalmente, todos os alunos do próprio processo de aprendizagem, estamos a dizer-lhes, com todas as letras, que a sua aprendizagem não depende deles, nem do seu esforço, empenho e dedicação.

Com a possibilidade de terminarmos com as retenções até ao 9.º ano, estamos a inverter o papel que devia ser intrinsecamente da escola, o da promoção do esforço, do empenho e da dedicação, valorizando o mérito. Em vez disso estamos a nivelar por baixo, desvalorizando os alunos dedicados e iludindo os outros de que tudo se faz mesmo sem esforço.

Para onde queremos ir com estas ideias peregrinas?

Não conheço nenhum professor, e conheço muitos do pré-escolar à universidade, que queira o insucesso dos seus alunos, mas também não conheço nenhum que simpatize com a ideia de retirar o mérito do processo de ensino-aprendizagem.

Quando me refiro a mérito não me refiro a resultados de exame, refiro-me a todo o processo, de empenho, de esforço, de dedicação, de estudo.

Bem sei que, no país dos Doutores e Engenheiros, interessa mais apresentar um diploma que confira um o grau académico, mesmo que concluído ao domingo ou por equivalências, do que o conhecimento científico que, supostamente, esse percurso académico lhes devia ter dado.

Começou com Bolonha, onde todos, com uma fasquia de rigor e exigência inferior, acabam com o grau de Mestre. Posteriormente com as Novas Oportunidades, onde com um simples portfólio se conseguia fazer vários anos do ensino secundário.

Atualmente com o alargamento da escolaridade obrigatória e agora com a “via verde” que se quer implementar da não retenção até ao 9.ºano está dada a machada final em toda a estrutura educacional do país.

Vemos um constante ataque aos profissionais da educação, culpando-os por todos os males que há no sistema, centrando todos os problemas sistémicos na figura do professor.

Por outro lado, assistimos a uma desculpabilização de todos os outros intervenientes no processo de ensino-aprendizagem como por exemplo, tutela e pais.

O processo de ensino-aprendizagem exige esforço dedicação e empenho do, por mim chamado, triângulo pedagógico: aluno-pais-professor/escola. Só com uma estreita colaboração, empenho e esforço de todos intervenientes é que podemos, todos, aprender!

Alberto Veronesi

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