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O ministério continua em falta com orientações às escolas que impeçam o caos no ensino à distância.

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Há uma semana, escrevi aqui um texto sobre os problemas que poderia causar a falta de uma orientação clara e vinculativa para as escolas de todo o país sobre o modo de articulação da telescola com outros mecanismos de ensino à distância. Uma semana depois, nem claras nem obscuras. Silêncio apenas. O ministério deixa o terceiro período arrancar ao sabor das iniciativas desgarradas dos diretores, que por sua vez, deixam amplas margens de atuação às estruturas intermédias das escolas.

O resultado é uma avalanche de procedimentos e exigências impraticáveis, que implicariam, para serem cumpridas, um horário duplo para quem ensina. Milhares de professores e alunos já estão a constatar a simples inviabilidade das aulas online em sincronia para uma turma inteira. E circulam na internet os vídeos sobre “aulas” que não chegam sequer a acontecer, por dificuldades técnicas ou indisciplina. A Comissão Nacional de Proteção de Dados já avisou para o universo de abusos e ilegalidades que este sistema pode implicar quanto à privacidade quer dos alunos, quer dos professores, mas o Ministério julga que, em pandemia, pode só lavar as mãos.

Com o caos a instalar-se, o Ministério deve intervir rapidamente com orientações claras. No meu anterior artigo, sintetizei algumas regras gerais que podem permitir que o terceiro período não acabe sendo apenas tempo perdido e um contributo para ainda mais ansiedade e frustração para professores e alunos e respetivas famílias. Milhares de professores acumulam este esforço com o cuidado dos filhos (abdicando da licença para assistência à família, a que teriam direito, na tentativa de manter o acompanhamento dos seus alunos).

Para que o terceiro período corra o melhor possível, em vez da multiplicação de procedimentos burocráticos, com dezenas de ficheiros para preencher, tabelas com sumários, recursos, presenças, os professores devem preparar materiais para complementar a telescola, manter contacto escrito e individualizado com os alunos, em coordenação com os diretores de turma, que devem assegurar a regularidade dos contactos diretos com os alunos e a continuidade da atividade destes.

Para que isso aconteça é preciso que o governo saiba o que está a acontecer e atue já. É simplesmente inexplicável que o ministério continue a adiar diretrizes simples e comuns a todas as escolas e agrupamentos.

Fonte: Esquerda.Net

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