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O início de um 3.º período como nunca se viu

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Durante os próximos dois meses, pelo menos para a grande maioria dos alunos, a escola será assim: em casa, através do computador, do tablet ou do telemóvel – se o tiverem – e a partir de dia 20, em frente à televisão, a assistir aos conteúdos educativos que vão passar a ser transmitidos na RTP Memória. Sem possibilidade de ir a uma sala de aula ou de tirar dúvidas cara-a-cara com o professor.

O 3.º período arranca assim esta terça-feira, de uma forma nunca antes vista, nem nunca antes tentada. Mas em tempos de pandemia e com as restrições de contacto social ainda em vigor e sem data para serem levantadas, não restam alternativas. Mesmo que, admitem professores e pais, a distância física e o ensino maioritariamente feito através de recursos digitais venham dificultar ainda mais a vida a quem tem problemas na escola ou a quem tem poucos recursos em casa. Seja físicos, seja da disponibilidade ou possibilidade dos pais para dar apoio nos estudos.

Por todo o país, há iniciativas de freguesias, autarquias e cidadãos para tentar fazer chegar recursos tecnológicos a quem não tem. As duas maiores editoras de manuais escolares deram uma ajudam e permitiram o acesso gratuito aos seus conteúdos pedagógicos online. No limite, a comunicação com os professores e as fichas de trabalho chegarão por correio, explicou o ministro da Educação. A ideia é não deixar ninguém para trás ou sem contacto com a escola.

De acordo com os planos do Governo anunciados pelo primeiro-ministro na semana passada, apenas os estudantes do 11.º e do 12.º podem ainda acalentar a esperança de voltar a entrar numa sala de aula este ano letivo. Se a evolução do surto do novo coronavírus o permitir, regressarão à escola em maio, para ter algumas disciplinas e com regras de proteção apertadas, como o uso de máscara obrigatório e o cumprimento das distâncias recomendadas. Quem não quiser ir, por decisão do encarregado de educação, não vai e não tem falta. E professores e funcionários que integrem grupos de risco também estão dispensados.

Para o ano, promete o primeiro-ministro, haverá equipamentos e acesso à internet para “todos os alunos dos ensino básico e secundário”. E “estratégias de recuperação das aprendizagens em todos anos de escolaridade”. Quanto ao 3.º período deste ano, para já é isto que se sabe:

CRECHES, ENSINO PRÉ-ESCOLAR E JARDINS DE INFÂNCIA

“Só poderemos retomar as atividades nos jardins de infância quando forem revistas as atuais regras de distanciamento, sendo ainda prematuro definir um prazo seguro, ainda que indicativo”, explicou António Costa na semana passada. Ou seja, estes estabelecimentos de ensino continuarão fechados e sem data para abrir.

ENSINO BÁSICO

“Do 1.º ao 9.º ano, todo o 3.º período prosseguirá com o ensino à distância”, anunciou o primeiro-ministro, juntando ainda a este conjunto de alunos os seus colegas do 10.º ano, que também não voltarão às salas de aula. Quanto à avaliação, foram suspensas provas de aferição (não contam para nota) e provas finais do 9.º ano a Matemática e Português.

O calendário letivo foi estendido, para todos os ciclos de ensino, até 26 de junho. Na avaliação final, os professores devem “valorizar o todo o esforço de recuperação” feito por quem teve negativas nos períodos anteriores. A decisão de chumbar ou não um jovem tem de ter em conta as “condições muitos especiais em que se vai desenrolar o 3.º período e o ensino à distância”, lembrou o primeiro-ministro.

ENSINO SECUNDÁRIO (11.º E 12.º ANOS)

Se houver condições para voltarem à escola, os estudantes terão aulas presenciais apenas às disciplinas cujos exames nacionais são necessários para concorrer ao concurso nacional de acesso ao ensino superior. E os estudantes só farão os exames pedidos pelas instituições de ensino superior para cada um dos cursos. Por exemplo, os cursos de Medicina requerem Biologia e Geologia, Física e Química e Matemática A. Mas a prova de Português do ensino secundário, até aqui obrigatória para todos, já não será feita. Ou seja, cada aluno terá de ir confirmar as provas que o ensino superior exige e só fará esses exames.

As notas que obtiverem nos exames contarão única e exclusivamente para o acesso à universidade ou politécnico. Ou seja, a classificação final de cada disciplina resultará apenas da avaliação feita pelos professores nas escolas, quando até aqui os exames pesavam 30 por cento.

O calendário letivo é estendido até 26 de junho, a 1.ª fase dos exames nacionais adiada para 6 a 23 de julho e a 2.ª para 1 a 7 de setembro. Os exames terão opção de escolha entre perguntas, de forma a garantir que os alunos não sejam testados para matéria que não deram.

AULAS NA TELEVISÃO

As emissões do #EstudoemCasa começam no dia 20 na RTP Memória (a RTP 2 terá programação mais direcionada para as crianças entre so 3 e os 5 anos) e os conteúdos serão detalhados esta semana ainda. Da grelha entretanto divulgada pelo Ministério da Educação, percebe-se que as disciplinas estão agrupadas para cada dois anos de escolaridade (com exceção do 9.º ano). Segunda-feira, por exemplo, começará às 9h00 com meia hora de Português para o 1.º e 2.º anos e terminará às 17h20 com meia hora de História para o 9.º.

Com exceção deste ano de escolaridade, todos os outros terão apenas um hora de transmissão de conteúdos por dia.

 

Fonte: Expresso

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