Início Educação O fator pais e o fator ‘profes’ – Ricardo Costa

O fator pais e o fator ‘profes’ – Ricardo Costa

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Desde o início da pandemia, que a maioria das medidas da área da educação foi tomada sem ter por base grandes critérios científicos. A primeira de todas, aliás, avançou contra o parecer do vetusto conselho nacional de saúde pública, que reuniu horas a fio para decretar que era errado fechar as escolas. 24 depois, o Governo mandou fechar tudo.

O que fez o Governo tomar essa decisão? Havia vários fatores e todos e confluíam na mesma direção: várias escolas já tinham encerrado, muitos pais não queriam os filhos fora de casa, os outros países estavam a fechar tudo e, em traços gerais, era isso que os portugueses queriam.

Só a incontornável Suécia é que se manteve quase impassível, sendo parcialmente acompanhada pala Islândia e Finlândia nos alunos mais novos, os que mais precisam da escola.

Foi depois disso que Portugal tomou a decisão menos justificada: a de não trazer os alunos do básico para a escola, jogando apenas nas creches e pré-escolar, e nos alunos com exames de 11º e 12º, que nem tinham obrigação de ir à escola.

O maiores perigo da segunda vaga é que o medo comande decisões. Na educação, o medo levará ao desastre

Foi um regresso seguro? Sem dúvida. Terá permitido testar uma pequena abertura, sem pressionar os serviços de saúde. Mas o segundo objetivo — salvar o verão e o turismo —, como depois se viu era inatingível. O que se perdeu nesse final de ano letivo é quase irrecuperável.

Agora que chega o início do ano letivo, já temos, pelo menos, uma maior racionalidade: as escolas têm uma ‘bíblia’ com regras de atuação, o ensino será presencial (com algumas exceções) e os casos de infeção serão tratados escola a escola, sem movimentos globais de encerramento. A partir daí, começam as dúvidas, os problemas, e sobretudo a irracionalidade e o medo.

O comportamento dos pais será decisivo. As reações primárias de março tinham justificação pelo primado da proteção. Agora terão de viver com o vírus, o que é muito exigente e causa insegurança. Mas a educação dos filhos terá de se sobrepor, exceto em casos de força maior. O fator pais terá de ser atenuado.

Há um outro fator determinante, os professores. O Governo devia ter promovido a reforma antecipada de quem integra grupos de risco e contratado mais docentes para assegurar redundâncias e desdobramentos. Não o fez. Os professores terão um papel que, no limite, se compara ao que tiveram os médicos e enfermeiros: manter um sistema universal a funcionar para não dar cabo de uma geração.

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