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Já Saíram Os Rankings De Escolas 2019 – Veja aqui!

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Quanto mais estuda a mãe, melhor é a nota do filho

fotografia que todos os anos os rankings tiram ao sistema educativo não mostra apenas as médias conseguidas nos exames nacionais do 9º ano e do ensino secundário. É também um retrato das diferenças que existem na sociedade e da forma como a desigualdade de recursos económicos e habilitações académicas entre as famílias se repercute no desempenho educativo dos alunos, dificultando a mobilidade social.

O Expresso pediu a investigadores da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa que medissem a relação entre notas nos exames do secundário e alguns indicadores socioeconómicos que são fornecidos também pelo Ministério da Educação e as conclusões foram claras. Por cada ano de escolaridade a mais das mães, a média dos filhos sobe um quarto de ponto. E por cada 1% a mais no número de alunos carenciados em cada estabelecimento de ensino, há também um impacto mensurável nas notas. Neste caso, para baixo.

“É um facto que existe correlação entre estes dois fatores e os resultados escolares. Não diria que é muito forte, até porque nestas análises sociais é muito difícil encontrar uma correlação com essa intensidade, já que existem muitas variáveis a interferir e que não estão a ser consideradas neste exercício. Mas podemos dizer que são estatisticamente significativas”, resume Hygor Piaget, físico da Faculdade de Ciências de Lisboa. O Ministério também dá dados sobre o nível de estudos dos pais, mas investigações anteriores mostraram que é a escolaridade das mães que tem mais impacto, já que são elas que mais assumem o acompanhamento escolar dos filhos.

O problema é que o nível de habilitações é muito variável e oscila entre os mais de 14 anos de escolaridade em algumas escolas de centros urbanos (por exemplo, na Secundária Filipa de Lencastre, em Lisboa, a média chega quase aos 15, indicando que a maioria dos encarregados de educação frequentou o ensino superior) e os cinco anos de outras, o que quer dizer que a maioria dos pais tem pouco mais do que o ensino primário.

O mesmo acontece com a percentagem de alunos carenciados, que oscila entre escolas em que os estudantes que recebem apoio financeiro se contam pelos dedos de uma mão e aquelas onde 70% beneficiam da ação social.

CASOS DE SUCESSO

Dito isto, também é um facto que os rankings tanto permitem chamar a atenção para situações de escolas que permanecem numa espécie de marasmo que impede os seus alunos de terminarem o ano com mais sucesso e que deviam, por isso, ter mais atenção do Ministério da Educação, como tornam possível encontrar as exceções que confirmam a regra e os bons exemplos que merecem ser avaliados e eventualmente seguidos.

O que está a falhar nas 81 secundárias onde mais de 40% dos estudantes chumbam no 12º ano ou naquelas onde a média nos exames nacionais nem sequer chega aos 8 valores numa escala de 0 a 20? E como se conseguem proezas como a da secundária de Escariz, em Arouca, que obteve média positiva e melhorou no ano passado, apesar de ter a mais alta percentagem de alunos carenciados em todo o país (69%)? “Tenho visto neles maior motivação em querer ir para o ensino superior”, reconhece ao Expresso Eugénia Costa, adjunta do diretor da escola.

Há ainda casos de melhorias muito acentuadas, como a secundária Serafim Leite, em São João da Madeira, que galgou quase 300 posições até chegar à segunda média mais alta do país entre as escolas públicas (12,96 valores), praticamente ex-aequo com a Infanta Dona Maria, em Coimbra (13,02 valores). Aliás, as variações nos primeiros lugares andam à volta das décimas e das centésimas, ou seja, não têm quase nenhum significado. O que faz com que as ordenações também mudem de jornal para jornal, já que a amostra de exames utilizados também não é igual.

Os dados da OCDE têm mostrado que Portugal é um dos países onde as desigualdades mais se fazem sentir e o sistema educativo não é exceção. Entre os muitos efeitos negativos da pandemia que se abateu sobre o mundo, o impacto nas aprendizagens e nos resultados das crianças e jovens forçados a um ensino à distância, sobretudo no caso dos mais carenciados, será um dos mais maiores. E ninguém sabe por quanto tempo mais o ensino terá de continuar a ser feito em casa, tornando as crianças e jovens ainda mais reféns das condições socioeconómicas das famílias e das habilitações académicas dos pais.

Fica numa pequena vila a 12 quilómetros de Famalicão e até há pouco tempo a maioria dos alunos frequentava cursos profissionais e não queria ir para o ensino superior. Mas o panorama mudou. A Secundária Padre Benjamin Salgado tem vindo a subir nos rankings das escolas e conseguiu mesmo ter agora a 11ª melhor média entre todas as secundárias públicas com mais de 100 provas: 12,96 valores. A escola na freguesia de Joane, distrito de Braga, é um dos dois estabelecimentos de ensino de Vila Nova de Famalicão que estão entre as 20 secundárias com os resultados mais altos nos exames nacionais, com médias acima de 12 valores.

Além de Lisboa, Coimbra e Porto, só Famalicão consegue ter mais do que uma escola nesses primeiros 20 lugares de um ranking que é dominado pelo Norte. O distrito de Leiria, com escolas de Caldas da Rainha, Leiria e Batalha, também tem presença relevante nesta lista elaborada pelo Expresso a partir dos dados do Ministério da Educação (ver nota).

“Começámos a melhorar há cinco anos. Contamos com um corpo docente muito sólido e reforçámos os apoios aos alunos”, resume José Alfredo Mendes, diretor do agrupamento Padre Benjamim Salgado. Além da média elevada, a escola destaca-se por outros indicadores: quase 60% dos alunos terminaram o secundário com notas positivas nos exames do 12º sem terem chumbado no 10º ou 11º. E em comparação com alunos semelhantes de outras escolas, essa percentagem é bem mais alta, o que a coloca entre as secundárias que mais ajudam os alunos a progredir (ver tabela).

Além da Secundária Camilo Castelo Branco (20º lugar), Famalicão conta com uma terceira escola uns lugares mais abaixo — a Secundária D. Sancho I (33º). José Alfredo Mendes vê no sucesso deste trio de escolas o impacto do fecho de um colégio privado e o corte no financiamento de turmas nas escolas com contrato de associação na zona. “Recebemos alunos que nunca viriam para aqui. O fim do apoio estatal levou os alunos a dispersarem-se pelas escolas públicas mais próximas.”

Já a diretora do agrupamento de escolas D. Sancho I vê a resposta no trabalho conjunto das instituições educativas do concelho. “Senti o impacto do fecho dos colégios no básico, não tanto no secundário”, diz Maria Helena Pereira. E o presidente da Câmara concorda. “Não foi esse encerramento que contribuiu para a melhoria dos resultados. Pode ter aumentado a quantidade de alunos, mas não a sua qualidade”, afirma Paulo Cunha.

UM SALTO ATÉ AO 2º LUGAR

Segundo o ranking que ordena apenas as escolas públicas — assume-se que entre estas e as privadas, o universo de alunos e meios não deve ser comparado —, em primeiro lugar está a Secundária Infanta D. Maria, em Coimbra, com uma média de 13,02. Com presença assídua no topo da lista, a escola distingue-se pelo seu contexto particular. “O nosso público tem condições económicas, sociais e culturais muito boas e os alunos têm objetivos de vida muito vincados. Aplicam-se e lutam pelo que desejam”, explica a diretora, Cristina Ferrão.

Logo a seguir, com uma diferença irrelevante de seis centésimas a menos, está a Secundária Dr. Serafim Leite, em São João da Madeira. Uma subida de dois valores (de 10,04 para 12,96) valeu-lhe um salto de quase 300 posições. Os alunos que fizeram exames foram os primeiros a completar todo o percurso no agrupamento de escolas, desde os três anos de idade. “Ficámos radiantes com esta posição”, confessa a diretora, Anabela Brandão. “Ao longo deste tempo, insistimos em como a escola não terminava no 12º ano e que se tivessem excelentes notas escolheriam o curso que queriam. Quando vimos os resultados, percebemos que poderiam sonhar à vontade.”

A Secundária Serafim Leite sempre foi uma escola industrial e ainda hoje mais de dois terços dos alunos estão em cursos profissionais (68%). Apesar de ter melhorado as notas, a taxa de chumbos no 10º e 12º fica acima da média nacional e a escola não é uma das que mais ajudam os alunos a progredir.

O melhor lugar desse ranking alternativo que mede os percursos de sucesso, penalizando taxas de retenção altas, é ocupado pela Secundária Dr. Machado de Matos, em Felgueiras. Para o diretor, António José Bragança, “não há nenhuma solução em especial”, além da dimensão da escola e da estabilidade do corpo docente. Mas o orgulho está em pôr uma escola pública no topo da lista. “Este é o verdadeiro ranking, porque retira o meio económico.” Ainda que as condições das famílias tenham efeito no sucesso dos alunos, há casos que fogem à regra. Com a maior percentagem de alunos carenciados no país (69%) e habilitações dos pais inferiores a oito anos, a Secundária de Escariz, em Arouca, tem média positiva, subiu um valor e melhorou a sua posição no ranking. “Temos visto as notas melhorarem, não só as dos exames mas também as internas”, reconhece Eugénia Costa, adjunta do diretor. “O grande orgulho nem é só esse, é a postura cívica dos alunos que, apesar de todas as dificuldades, ficou visível agora no regresso ao ensino presencial.”

Se a ordenação juntar as 521 secundárias do país onde se realizaram mais de 100 exames, o que fica cada vez mais evidente é o domínio das privadas, que ocupam os 32 primeiros lugares, com o Colégio Nossa Senhora do Rosário, no Porto, a repetir-se pela sexta vez consecutiva na primeira posição, desta vez com uma média ainda mais alta (15,6 valores). Entre as dez com melhor média está novamente o Colégio Moderno ou os Salesianos de Lisboa, juntando-se este ano o Colégio do Sagrado Coração de Maria, também na capital. Já o Rainha Santa Isabel, em Coimbra, não só continua no topo como está entre as 20 melhores escolas do ranking alternativo do Ministério da Educação.

COM ISABEL LEIRIA

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