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Inverno |Com o regresso das aulas presenciais, será impossível distinguir Gripe de Covid19

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No inverno e com o regresso das aulas presenciais, a situação pode-se inverter? Afinal, a pediatria também tem menos profissionais e hospitais de referência. O inverno será difícil? Já se estão a preparar?

Maria João Brito Coordenadora de Infecciologia no Hospital Dona Estefânia responde, quando foi a gripe pandémica do H1N1, isso aconteceu. A palavra antecipação está sempre em cima da mesa e já temos na nossa estrutura a organização de dividir o hospital por pisos e por vias respiratórias diferentes, ou seja, não pode estar tudo junto senão a infeção começa a passar de doente para doente, que entra com uma coisa e às tantas apanha outra. Isso tem de ser evitado ao máximo. Pode acontecer o que costuma a acontecer com um vírus pandémico, que é, quando é muito importante, os outros não circulam tanto. Quando a covid começou a circular, ainda tivemos alguns doentes com o vírus da gripe, mas para nós foi um alívio que estivesse quase no fim. Estou em crer que as crianças que fazem muitas infeções virais possam ter só o vírus da gripe e do SARS CoV-2. Por exemplo, quando a pandemia surgiu, foi-nos debatido na DGS se valeria a pena termos muitos hospitais de referência e dissemos que com um hospital conseguiríamos dar resposta, deixando os outros para outras doenças.

Agora, no inverno, temos de repensar, olhar para os números e para o estrangeiro, sobretudo com o que está a acontecer no Hemisfério Sul. A Austrália será um país em que estaremos muito centralizados porque mostra muito aquilo que se passa, está a começar o inverno ali, e a gripe vai entrar e nós vamos ver como eles vão lidar com a situação.

Vão levar a primeira pancada. Mas vamos ter impacto sem dúvida alguma. Com a gripe, que é um vírus que realmente infeta as crianças e que entra na pediatria, porque primeiro apanha as crianças que são os grandes reservatórios do vírus da gripe. E são elas que disseminam o vírus por toda a comunidade. O SARS CoV-2 vem ao contrário. O problema vai ser distinguir um do outro, o que lhe digo à partida é que vai ser impossível. Vamos ter de pensar em estratégias, se calhar em testes rápidos que nos possam ajudar numa fase inicial a separar uns dos outros. A DGS já está a pensar e tem de ser agora para podermos antecipar o embate do inverno.

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