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“Houve quem tivesse ficado para trás e perdido a única âncora que tinha, que era a escola”

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Mais de dois meses de confinamento e de ensino à distância que teve de ser preparado de um dia para o outro: isto diz o quê sobre a capacidade da escola em reinventar-se?
Mostra mais uma vez a capacidade criativa e de adaptação dos portugueses em geral e dos professores em particular, que é tanto mais louvável quanto a classe docente se situa na generalidade acima dos 50 anos. Reinventou-se de um dia para o outro e por detrás disso está a paixão pelos miúdos e o não querer deixá-los para trás, especialmente os mais vulneráveis, que levaram os professores que nunca tinham trabalhado com tecnologias a arranjar soluções. Penso que em todas as escolas – pelo menos na minha foi assim -, deu-se abertura para que as sessões à distância pudessem ser síncronas ou assíncronas, numas plataformas ou noutras, até se estabilizarem e encontrarem uma zona de conforto dentro do desconforto criado. E penso que tem corrido bem.

O que mudou nestes dois meses?
Provavelmente, mudámos todos um bocadinho. Ainda na semana passada, numa reunião da OCDE, que teve um painel de jovens de todo o mundo que participaram lado a lado com peritos, políticos e professores e partilharam o que sentiam, os nossos meninos portugueses, ao contrário, por exemplo, dos japoneses, que estavam mais preocupados com os resultados e os exames, diziam que é muito difícil a distância, a ausência do toque, até quando é que vamos estar sem nos abraçar. Os nossos estavam mais preocupados com o bem-estar afetivo e emocional, e eu penso que essa é uma questão que vamos ter de cuidar muito no regresso às aulas, em setembro, que ainda está a ser estudado e redesenhado em todo o mundo. Sinto que nunca a figura do professor foi tão valorizada, pelos miúdos e, inclusive, pelos encarregados de educação.

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