Início Educação Fim da primeira parte: Bolhas 0 x Intervalos 0

Fim da primeira parte: Bolhas 0 x Intervalos 0

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Se cada turma é uma bolha escolar para enfrentar os tempos difíceis da pandemia, repito o que escrevi em 8 de Julho de 2020: “o ministro da Educação integra os fóruns do futebol e das aulas em Setembro. É natural que com tanta informação já confunda intervalos dos jogos com os escolares. Se não se percebe que diga que os alunos vão caber todos na mesma sala, que não haverá desdobramento de turmas, que a única obrigatoriedade é a máscara a partir do 2º ciclo e que distanciamento não, é ainda mais surpreendente que elimine os intervalos escolares.

Portanto, se é decorrente da pandemia que se insiste na desconcentração dos intervalos e no desdobramento de turmas, é importante que se diga que vai para além do que disse, e desdisse, o ministro. Precise-se: com a aplicação das duas ideias, uma escola com 1000 alunos nunca tem mais do que 250 na escola (e descongestiona muito o seu exterior) e um máximo de 60 (um valor entre 15 e 60) a frequentar cada um dos espaços ou serviços fora das salas de aula; e com a vantagem de se manterem as especificidades fundamentais dos horários já a pensar no pós-covid-19 (não se sabe quando será, obviamente).

Ou seja: as propostas dos desdobramentos (ou turnos) e dos intervalos são sustentadas e evitam os 3 c´s (aproximação física, espaços fechados e aglomeração de pessoas). Repito: “grupos de 10 ou 15 nas turmas para frequência presencial semanal alternada não exige que um professor leccione também à distância, duplicando a sua carga horária e o seu desgaste energético ou contratando outro professor. O professor terá a turma na plataforma, até para antecipar todos os futuros, e lecciona apenas as aulas presenciais onde controlará o processo. A RTP memória é mais um apoio para a semana em casa. É preferível ter metade da carga curricular presencial do que nenhuma; ou dito doutro modo: é preferível aprender menos do que não aprender.”

Como também é óbvio, desconcentrar intervalos não implica que os tempos lectivos não comecem todos ao mesmo tempo. A ideia de desconcentração acentuou-se com as aulas de 90 minutos (1998) para todos os anos de escolaridade e disciplinas (do 5º ao 12º). Aulas com esse tempo nem sempre são aconselhadas com idades e didácticas tão diversas. Ter os intervalos ao critério dos professores, antecipando-os e continuando as aulas depois ou prolongando-os no início das aulas, não significa que alunos e professores não estejam a horas para as aulas seguintes. Basta pensar um bocado. E nada disto altera a forma tradicional de fazer horários; pelo contrário: melhora-a. Este modelo de intervalos descongestiona os serviços da escola, educa para o silêncio nos espaços comuns e pode ser articulado por disciplina, ano ou conjunto de salas. Está documentado com resultados muito positivos e sem ser preciso ir à Finlândia. Pode ser aplicado em qualquer escola e prepara-a para um ambiente mais inovador, autónomo e responsável. Oxigena as bolhas, e protege-as, e elimina o ruído das campainhas. Claro que há alternativas mais complexas que exigem uma adaptação à tipologia de cada escola. De qualquer dos modos, iniciamos a segunda parte da pandemia com um empate a zero entre as bolhas e os intervalos e a temer uma prolongada ineficácia.

Paulo Prudêncio

Correntes

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