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“Fechar escolas tem um efeito nulo no controlo da epidemia” – Henrique Raposo

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A ciência, como sempre, diverge na questão. São as crianças grandes transmissores do vírus? Há quem diga que sim. Há quem diga que não. Tenho à minha frente um paper académico publicado na “Pediatrics, Official Journal of the American Academy of Pediatrics” de agosto. Publicado por Benjamin Lee e William Raszka, o título diz tudo: ”Covid-19 transmission and Childreen: the Child is not to blame”.

 

E há mais papers que indicam esta tese: as crianças não são grandes multiplicadores do vírus. Na ECDC, a DGS europeia, também encontramos estudos que indicam este ponto: não é pelas crianças que o SARS-CoV-2 avança para níveis pandémicos e que fechar escolas tem um efeito nulo ou reduzido no controlo da epidemia. Portanto, deixemos agora o inconclusivo debate científico e concentremo-nos no debate moral.

 

Haverá um momento em que teremos de travar o presente sacrifício de uma geração de crianças e dos seus pais, ainda novos. Para salvarmos algumas vidas de doentes crónicos com 70, 80 e 90 anos, qual é o grau de destruição escolar, social e médico (sim, médico) que podemos infligir aos mais novos? A meu ver, esse limite está a ser ultrapassado neste momento. Este ano letivo é de novo um #ficaremcasa aos bocadinhos. Imagine-se uma família com dois ou três filhos: há um contágio (um, 1, uma unidade) na turma do mais velho, essa turma é mandada para casa; um mês depois há um contágio na turma do mais novo, essa turma é mandada para casa. E assim sucessivamente. Este pára-arranca é pior do que o Estado de Emergência de março-junho.

 

A ideia de mandar uma turma inteira para casa só porque há um contato torna impossível o ensino presencial dos alunos e a vida profissional dos pais. Pelo que sei, os franceses perceberam isto e mudaram a regra de um para três contágios. A turma só vai para casa com três contágios. Se as autoridades portuguesas não perceberem isto, se a paranoia continuar apertada, uma geração de crianças vai perder dois anos letivos, um desastre escolar, social e médico.

Expresso

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