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Estar com os colegas foi o melhor do regresso à escola

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Mais do que o regresso às aulas, foi a possibilidade de voltar a estar com os colegas na escola que mais entusiasmou os alunos. E entre aulas presenciais e remotas, a escolha vai, sem dúvida, para as primeiras. Estas são duas das principais conclusões que resultam de um inquérito a quase 2800 crianças e jovens com ou em risco de insucesso escolar, abrangidos pelos programas de apoio da associação Empresários pela Inclusão Social.

Com o fecho das escolas a 16 de março, foi só ao fim de seis meses, em setembro passado, que centenas de milhares de jovens voltaram a sentar-se ao lado dos colegas da turma e a conviver nos recreios. E, quando questionados sobre o que mais gostaram nesse regresso, o contacto com os colegas na escola foi a resposta mais dada (entre 60% a 70%, dependendo do grupo etário). “Sair de casa e poder ir para a escola” foi a segunda mais escolhida.

Mas há diferenças no tipo de resposta consoante a idade. O caso mais flagrante prende-se com a proximidade com os professores, que é muito mais sentida entre os mais novos. Assim, o “contacto com os professores na escola” foi o que 38% das crianças do 1º ciclo (1º ao 4º ano) mais apreciaram. No caso dos alunos do 7º ao 9º ano, essa percentagem cai para 12%. Os números refletem o “valor social e relacional da escola presencial entre pares e, no 1º ciclo, entre alunos e professores”. “Mesmo assim, não estava à espera de uma diferença tão grande”, admite o secretário-geral da EPIS, Diogo Simões Pereira.

Para 38% das crianças do 1º ciclo o melhor do regresso à escola foi voltar a estar com os professores

Quanto à preferência pelo tipo de aulas, a grande maioria não hesita em identificar o contacto presencial com o professor como o melhor, sobretudo no que toca à compreen­são da matéria: cerca de 90% percebem melhor se estiverem na sala de aula. Mais divididas são as respostas em relação ao comportamento. Se cerca de 60% dos alunos mais novos (1º e 2º ciclos) dizem comportar-se melhor nas aulas presenciais, no caso dos estudantes do 7º, 8º e 9º anos essa percentagem é de apenas 35%, ligeiramente abaixo até dos 38% dos que afirmam comportar-se melhor nas aulas por computador.

Em geral, os mais velhos estão mais à vontade com o ensino remoto. No 3º ciclo, a percentagem de alunos que se sente na mesma, pior ou muito pior com o regresso à escola é de 21%, comparando com 13% no 2º ciclo e 9% no 1º ciclo. “Há um número significativo de respostas que indicam indiferença perante os dois modelos de ensino, o que demonstra uma maior habituação a esta forma de aprender”, avalia Dio­go Simões Pereira.

O inquérito também avaliou o que mais assusta os jovens na pandemia. A possibilidade de ficar infetado ou de a família adoecer foi a resposta mais frequente, a rondar os 80%. Os alunos do 3º ciclo também manifestaram outras preocupações relacionadas com a perda de emprego e de rendimento da família (um em cada quatro apontou-o) e um quinto indicou a possibilidade de o ensino remoto prejudicar o resultado escolar no final do ano.

A EPIS acompanha neste ano letivo 7500 alunos de 235 escolas do continente e dos Açores, contando com o apoio de 167 mediadores.

Isabel Leiria in Expresso

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