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Espanha | Organizar o regresso às aulas

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Amenos de uma semana do início das atividades escolares em Espanha, as 17 comunidades autonómicas e o Governo chegaram a um acordo para uniformizar as medidas de prevenção para combater o avanço do coronavírus nas escolas espanholas. Num cenário geral de desencontros e de caos legislativo, o acordo representa um sopro de sanidade para organizar harmoniosamente em todo o território uma atividade vital que esteve interrompida durante meses, desde a primavera passada, embora se censure as entidades envolvidas pelo atraso em chegar a um consenso sobre este assunto.

O pacto prevê que as atividades letivas se desenvolvam preferencialmente de forma presencial. Todas as crianças maiores de seis anos usarão máscara nos transportes escolares, nas aulas, nos recreios e nas cantinas.

Recomenda-se a lavagem frequente das mãos, pelo menos cinco vezes ao dia, e a ventilação da sala de aula tanto quanto possível. Os alunos que vierem para a escola de autocarro terão assento fixo no veículo, o mesmo sucedendo na cantina da escola, sendo sempre respeitada a distância de um metro e meio entre alunos.

Professores e alunos terão a sua temperatura corporal medida todos os dias e cada centro educacional terá um responsável, encarregado pelo cumprimento das normas e vigilância de possíveis contágios.

Os centros comprometeram-se a fomentar a criação de grupos de convivência estável, os chamados “grupos bolha”, que podem ser suscetíveis de se isolar de outros grupos, evitando que se misturem. Quando um caso de desenvolvimento da doença for detetado, a pessoa infetada será imediatamente isolada e todo o “grupo bolha” será colocado em quarentena. A escola inteira só será fechada se o surto se espalhar de maneira generalizada.

UNIVERSIDADES ONLINE

Não foi estabelecido um número mínimo de alunos por sala de aula, embora na maioria das comunidades autonómicas seja de 20 a 25 alunos. Essa limitação da capacidade escolar obriga a maioria dos centros educativos a prever a ampliação do número de salas de aula e a consequente contratação de mais professores. O Ministério da Educação avaliou entre 30 mil e 40 mil o número de novos professores requeridos para atender a essas novas necessidades em Espanha. Algumas comunidades autonómicas comunicaram dificuldades financeiras para pagar essas novas contratações e solicitaram ajuda do Estado para superar as dificuldades.

Não houve avanços, pelo que se deduz das declarações da ministra da Educação, Isabel Celáa, na celebração de um acordo para conciliar a vida familiar e laboral em caso de contágio de um aluno obrigado a fechar-se em casa durante a quarentena. Antes da reunião Governo/comunidades autonómicas, parecia estar pronta uma disposição que previa que os pais que tivessem de ficar em casa para cuidar de um filho doente tivessem direito a licença remunerada ou licença por doença, mas a oposição das ministras da Economia e das Finanças à despesa que essas medidas implicam atrasou a decisão.

Este pacote de medidas afeta o ensino infantil, primário, secundário e profissional, mas não as universidades, que são regulamentadas por um ministério específico. O responsável por esta pasta, Manuel Castells, proposto pelo Unidas Podemos, é agora alvo de múltiplas críticas pela sua inércia na organização do regresso à normalidade da atividade letiva.

Castells, que anunciou para breve um encontro com o conselho de reitores das universidades espanholas, destaca que é um defensor respeitoso da autonomia universitária e que devem ser os diferentes campus a organizar os pormenores da vida universitária. Ao contrário do ensino nas escolas, espera-se que o ensino online tenha precedência sobre o ensino presencial nesses centros educativos. Cidades como Salamanca (Castela-Leão), que vive da presença em massa de estudantes universitários durante todo o curso, já manifestaram o seu desacordo com essa orientação, que incentiva os alunos a ficarem em casa no seu lugar de origem.

Expresso

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