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Escolas: Ranking 2019 – O trio de Famalicão

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Fica numa pequena vila a 12 quilómetros de Famalicão e até há pouco tempo a maioria dos alunos frequentava cursos profissionais e não queria ir para o ensino superior. Mas o panorama mudou. A Secundária Padre Benjamin Salgado tem vindo a subir nos rankings das escolas e conseguiu mesmo ter agora a 11ª melhor média entre todas as secundárias públicas com mais de 100 provas: 12,96 valores. A escola na freguesia de Joane, distrito de Braga, é um dos dois estabelecimentos de ensino de Vila Nova de Famalicão que estão entre as 20 secundárias com os resultados mais altos nos exames nacionais, com médias acima de 12 valores.

Além de Lisboa, Coimbra e Porto, só Famalicão consegue ter mais do que uma escola nesses primeiros 20 lugares de um ranking que é dominado pelo Norte. O distrito de Leiria, com escolas de Caldas da Rainha, Leiria e Batalha, também tem presença relevante nesta lista elaborada pelo Expresso a partir dos dados do Ministério da Educação (ver nota).

“Começámos a melhorar há cinco anos. Contamos com um corpo docente muito sólido e reforçámos os apoios aos alunos”, resume José Alfredo Mendes, diretor do agrupamento Padre Benjamim Salgado. Além da média elevada, a escola destaca-se por outros indicadores: quase 60% dos alunos terminaram o secundário com notas positivas nos exames do 12º sem terem chumbado no 10º ou 11º. E em comparação com alunos semelhantes de outras escolas, essa percentagem é bem mais alta, o que a coloca entre as secundárias que mais ajudam os alunos a progredir (ver tabela).

Além da Secundária Camilo Castelo Branco (20º lugar), Famalicão conta com uma terceira escola uns lugares mais abaixo — a Secundária D. Sancho I (33º). José Alfredo Mendes vê no sucesso deste trio de escolas o impacto do fecho de um colégio privado e o corte no financiamento de turmas nas escolas com contrato de associação na zona. “Recebemos alunos que nunca viriam para aqui. O fim do apoio estatal levou os alunos a dispersarem-se pelas escolas públicas mais próximas.”

Já a diretora do agrupamento de escolas D. Sancho I vê a resposta no trabalho conjunto das instituições educativas do concelho. “Senti o impacto do fecho dos colégios no básico, não tanto no secundário”, diz Maria Helena Pereira. E o presidente da Câmara concorda. “Não foi esse encerramento que contribuiu para a melhoria dos resultados. Pode ter aumentado a quantidade de alunos, mas não a sua qualidade”, afirma Paulo Cunha.

UM SALTO ATÉ AO 2º LUGAR

Segundo o ranking que ordena apenas as escolas públicas — assume-se que entre estas e as privadas, o universo de alunos e meios não deve ser comparado —, em primeiro lugar está a Secundária Infanta D. Maria, em Coimbra, com uma média de 13,02. Com presença assídua no topo da lista, a escola distingue-se pelo seu contexto particular. “O nosso público tem condições económicas, sociais e culturais muito boas e os alunos têm objetivos de vida muito vincados. Aplicam-se e lutam pelo que desejam”, explica a diretora, Cristina Ferrão.

Logo a seguir, com uma diferença irrelevante de seis centésimas a menos, está a Secundária Dr. Serafim Leite, em São João da Madeira. Uma subida de dois valores (de 10,04 para 12,96) valeu-lhe um salto de quase 300 posições. Os alunos que fizeram exames foram os primeiros a completar todo o percurso no agrupamento de escolas, desde os três anos de idade. “Ficámos radiantes com esta posição”, confessa a diretora, Anabela Brandão. “Ao longo deste tempo, insistimos em como a escola não terminava no 12º ano e que se tivessem excelentes notas escolheriam o curso que queriam. Quando vimos os resultados, percebemos que poderiam sonhar à vontade.”

A Secundária Serafim Leite sempre foi uma escola industrial e ainda hoje mais de dois terços dos alunos estão em cursos profissionais (68%). Apesar de ter melhorado as notas, a taxa de chumbos no 10º e 12º fica acima da média nacional e a escola não é uma das que mais ajudam os alunos a progredir.

O melhor lugar desse ranking alternativo que mede os percursos de sucesso, penalizando taxas de retenção altas, é ocupado pela Secundária Dr. Machado de Matos, em Felgueiras. Para o diretor, António José Bragança, “não há nenhuma solução em especial”, além da dimensão da escola e da estabilidade do corpo docente. Mas o orgulho está em pôr uma escola pública no topo da lista. “Este é o verdadeiro ranking, porque retira o meio económico.” Ainda que as condições das famílias tenham efeito no sucesso dos alunos, há casos que fogem à regra. Com a maior percentagem de alunos carenciados no país (69%) e habilitações dos pais inferiores a oito anos, a Secundária de Escariz, em Arouca, tem média positiva, subiu um valor e melhorou a sua posição no ranking. “Temos visto as notas melhorarem, não só as dos exames mas também as internas”, reconhece Eugénia Costa, adjunta do diretor. “O grande orgulho nem é só esse, é a postura cívica dos alunos que, apesar de todas as dificuldades, ficou visível agora no regresso ao ensino presencial.”

Se a ordenação juntar as 521 secundárias do país onde se realizaram mais de 100 exames, o que fica cada vez mais evidente é o domínio das privadas, que ocupam os 32 primeiros lugares, com o Colégio Nossa Senhora do Rosário, no Porto, a repetir-se pela sexta vez consecutiva na primeira posição, desta vez com uma média ainda mais alta (15,6 valores). Entre as dez com melhor média está novamente o Colégio Moderno ou os Salesianos de Lisboa, juntando-se este ano o Colégio do Sagrado Coração de Maria, também na capital. Já o Rainha Santa Isabel, em Coimbra, não só continua no topo como está entre as 20 melhores escolas do ranking alternativo do Ministério da Educação.

COM ISABEL LEIRIA

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