Início Editorial Entendam-se por favor! SE João Costa diz A, Ministro da Economia B

Entendam-se por favor! SE João Costa diz A, Ministro da Economia B

400
0

Em primeiro lugar de notar que do Ministro da Educação nem A, nem B, nem nada, não é tido nem achado em nada, talvez o vejamos mais agora que começa o futebol.

Tenho de dizer, sem problema em assumir, que concordo com o que disse o SE João Costa “Não pensemos que o que aconteceu neste terceiro período, e está a acontecer, é uma mudança paradigmática na educação. É um remendo para poder levar este ano letivo até ao fim e agora interessa-nos estarmos num trabalho de preparação para o próximo ano letivo”.

Ufa! Até que enfim alguma sobriedade nas palavras no que diz respeito a “isto” que aconteceu durante o terceiro período, sem desmerecer o trabalho árduo que todos nós, professores, acabámos por ter, que foi apenas um remendo!

Fico feliz também por, finalmente, ver alguém do governo pedir o foco no próximo ano letivo, algo que, creio eu, já devia estar a ser ponderado!

Poderão dizer, mas há muita imprevisibilidade! Certo, é verdade, mas para contrariar a imprevisibilidade projetam-se vários cenários e acutelam-se processos! Adiante!

Finalmente o foco está direcionado e fico feliz por isso!

No entanto quero discordar, como não podia deixar de ser, quando diz que “Em primeira instância, a escola tem uma função social e esta função social não é reproduzível à distância”.

Não posso concordar pois considero a primeira função da escola deve ser o ensino/instrução! Ao querermos colocar o ónus da resolução das desigualdades sociais na escola tem feito com que esta deixe de se preocupar com o ensino em prol da função social, acabando por não conseguir fazer bem ambas!

As desigulades sociais não se combatem na escola! Que me digam que na escola um aluno é um aluno e que por conseguinte a desigualdade de origem é atenuada “temporariamente” em sala de aula ou em meio escolar, aceito, mas que isso faz com que de regresso a casa a desigualdade desapareça é só demagogia!

Cada macaco no seu galho e tornar a escola num centro de combate às desigualdades têm-nos levado a um caminho de falta de exigência e facilitismo, dando a ilusão de que estamos a mitigar as desigualdades quando na verdade estamos a criar umas ainda maiores.

A escola tem um papel importante, sim, no combate às desigualdades, mas vejamos onde:

Na qualidade da oferta, na possibilidade de ser um elevador social, para qualquer aluno que a frequente, independentemente da sua origem ou estrato socioeconómico.

O papel principal da Escola Pública é a capacidade que deve ter de servir de elevador social a todos os cidadãos, dando as mesmas oportunidades, diluindo assim as diferenças socioeconómicos.

Preferia não recorrer aos estudos da OCDE, mas vou recuperar aquele que fala sobre a mobilidade social em vários países, incluindo Portugal.O referido estudo indica-nos -algo que a maioria de nós já reparou – que a mobilidade social em Portugal é inexistente. Os filhos dos mais carenciados estão destinados a serem para sempre carenciados, e os filhos dos mais abastados estão destinados a serem sempre abastados.

É aqui que Escola deve entrar: deve dar resposta, e deve ser o mecanismo ao serviço do estado para que “ricos” e “pobres” tenham iguais oportunidades de utilizar as suas capacidades para construir uma carreira.
Mas é aqui que a Escola Pública não está a cumprir o seu papel, pois o mesmo estudo indica que o fator preponderante para o sucesso profissional em Portugal não é a educação nem as capacidades pessoais, mas sim a herança.

O papel da Escola Pública deve ser, em primeiro lugar, o de proporcionar aos seus alunos a possibilidade de ali, na escola, deixando as diferenças económicas à porta, estarem em igualdade de circunstâncias com os mais abastados. Mas é mais que evidente que isso não acontece.

No que toca ao Ministro Siza Vieira, veio dizer, também finalmente, que “O Plano de Educação Digital tem de ser acelerado no próximo ano letivo, o projecto está já em curso e não pode esperar mais.”

Ora aqui impõe-se a pergunta: Continuaremos então em modo “remendo” no próximo ano letivo?  Ou no tão afamado B-Learning?

Acrescente o Ministro que “o plano envolve a capacitação de docentes, disponibilização de plataforma de ensino para as escolas, para que seja mais do que aulas no Zoom. Envolve conteúdos digitais, trabalho que está já a ser feito com as editoras. Envolve a cobertura digital de escolas e diferentes regiões (onde ainda hoje há dificuldades de rede). Disponibilização de equipamentos para todos os estudantes”

Parece-me que estão, finalmente, a esboçar o próximo ano letivo, pena que não se entendam, ou conversem antes das aparições públicas onde cada um diz aquilo que lhe apetece!

Veremos!

Alberto Veronesi

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.