Início Educação EDUCAÇÃO | Impacto no contágio visível em outubro

EDUCAÇÃO | Impacto no contágio visível em outubro

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) defende que as escolas não representam um papel central na transmissão do novo coronavírus e o Centro Europeu para Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) conclui não ter havido aumento dos contágios nas escolas que reabriram mais cedo na Europa com medidas de prevenção e distanciamento em vigor. Ainda assim, há estudos de modelação matemática “que apontam que a abertura das escolas poderá contribuir para o aumento da transmissibilidade”, como refere ao Expresso o departamento de Epidemiologia do Instituto Ricardo Jorge (INSA).

Manuel Carmo Gomes, um dos peritos que esta segunda-feira voltam às reuniões com o Governo para avaliar a situação epidemiológica e o regresso às aulas, defende ser ainda “muito arriscado” assumir que as escolas têm um papel reduzido na transmissão, como assegura a OMS. “Não percebo de onde vem essa certeza. As escolas têm estado maioritariamente fechadas ou a funcionar a meio gás”, afirma o professor de Epidemiologia da Universidade de Lisboa.

Há três aspetos que o especialista tem estado a acompanhar: a probabilidade de uma criança ser infetada, a sua carga viral e a probabilidade de transmitir o vírus a outras crianças e à família. “Há dados que parecem inequívocos: as crianças têm o mesmo risco de infeção que os adultos e a sua carga viral não é inferior, embora tenham muito menos sintomas”, refere.

“Só na probabilidade de transmissão é que há dados heterogéneos e até contraditórios. Tanto há países que não identificaram nem transmissão secundária nem surtos em escolas, como há outros onde surgiram grandes surtos poucos dias após a reabertura, como Israel e em universidades americanas.” Em França, quatro dias depois do início das aulas, 22 escolas foram encerradas, uma pequena parte dos 60 mil estabelecimentos. Já no caso das escolas secundárias e jardins de infância que reabriram em Portugal entre 18 de maio e 26 de junho, foram registadas infeções em 40 dos cerca de 3500 estabelecimentos em funcionamento. Cinco escolas secundárias e três creches foram encerradas.

CASOS ESTÃO A SUBIR

Manuel Carmo Gomes mantém a perceção de que o aumento de casos em resultado do início do ano letivo e de uma maior circulação de pessoas será visível em outubro, três semanas após o arranque das aulas. “Esse tempo baseia-se num período de incubação com mediana de seis dias, mais os dias que decorrem até ocorrer infeção e o caso ser diagnosticado. Mas é tudo altamente incerto. Por exemplo, eu não previa que se assistisse a este aumento recente de casos”, explica.

Ao longo desta semana, o número de novas infeções rondou as 400. O INSA esclarece que “ainda é cedo” para ver nesta subida o efeito do regresso ao trabalho: só no final de setembro ou início de outubro será possível avaliar o efeito da retoma.

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