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E se as escolas não forem o grande foco de disseminação?

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Aconselho a leitura do texto, mas quero referir apenas que estimo que os casos de Covid em escolas é pelo menos o dobro dos relatados oficialmente!


COVID-19: E se as escolas não forem o grande foco de disseminação?

Não está provado cientificamente, mas basta olhar o enorme número de escolas europeias e americanas que abriram e a pequeníssima percentagem onde foi registada a presença de surtos”, refere o professor de Epidemiologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa Manuel Carmo Gomes, sublinhado que, ao contrário do que acontece num lar, onde após uma semana da entrada do vírus, o número de infetados pode já ter ultrapassado as 40 pessoas, a maioria das escolas onde existiram surtos registou cerca de dois ou três infetados.

“Em Portugal existiram surtos em algumas escolas, mas, se pusermos isso em perspetiva e considerarmos o número de escolas que temos no País e a percentagem que realmente detetou surtos, veremos que é relativamente baixa”. O especialista revela-se espantado com tal cenário, dado que este vai contra tudo aquilo que previa. “Esperei algo muito pior. Nunca me convenci que as crianças não tivessem capacidade de transmitir o vírus como os adultos.”

Ainda assim, e apesar de, em agosto, o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças ter publicado um estudo onde referia que as crianças haviam representado menos de 5% de todos os casos de coronavírus reportados pelos 27 países da União Europeia e pela Grã-Bretanha, o médico revela que, tal como nos adultos e adolescentes, o novo coronavírus pode existir no trato respiratório dos mais novos.

Permanece um mistério porque é que as crianças não transmitem o vírus com a mesma facilidade. “Seria necessário colher amostras do trato respiratório superior das crianças, cultivá-las e ver se têm capacidade de infetar. Mas isso leva tempo e requer laboratórios de alta segurança.”

Um estudo publicado a 7 de outubro, na revista Science Translational Medicine, analisou a resposta imunitária ao novo coronavírus de crianças e jovens adultos, internados com Covid-19 no Montefiore Medical Center, em Nova York, comparando-a com a resposta imunitária de adultos internados, pela mesma razão, no mesmo hospital.

Apesar de a resposta celular dos adultos, com uma maior capacidade de desenvolver células T, fosse melhor, a resposta imunitária inata das crianças revelou-se bastante superior, o que faz com que, mal sejam infetadas, haja uma resposta que não dá hipótese ao vírus de descer ao trato respiratório inferior e causar doença mais grave.

 Não percebo porque é que um aluno, para ter uma aula de história, tem de deslocar-se à escola, sobrecarregando os transportes públicos e aumentando o movimento nos bares e cafés em torno da mesma,

MANUEL CARMO GOMES – PROFESSOR DE EPIDEMIOLOGIA

“Desde as reuniões do Infarmed que nunca advoguei o fecho das creches e de escolas para crianças até aos seis anos de idade”, refere Castro Gomes, que, no entanto, discorda da decisão tomada no sentido de manter todas as aulas dos adolescentes presenciais. Segundo o médico, os adolescentes transmitem o vírus como um adulto e, por isso, devem deslocar-se à escola estritamente para aulas práticas que não possam ser dadas de outra forma. “Não percebo porque é que um aluno, para ter uma aula de História, tem de se deslocar à escola, sobrecarregando os transportes públicos e aumentando o movimento nos bares e cafés em torno da mesma, quando podia perfeitamente estar a ouvir a aula no sofá de casa.”

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