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É preciso reforçar equipas de intervenção para escolas

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Com o número de casos de covid-19 no país a aumentar, é muito provável que sejam detetadas cada vez mais situações nas escolas, que desde a passada quinta-feira começaram a funcionar a todo o gás. E se o objetivo é garantir que os estabelecimentos de ensino, apesar de não estarem imunes à entrada do vírus, não se transformem em focos de transmissão, então vai ser necessário intervir de forma rápida e eficaz e com reforço de meios, avisa quem está no terreno.

A par das escolas e dos pais, as equipas locais de saúde pública são um dos elos cruciais. E o seu reforço é “fundamental”, acredita Vasco Ricoca Peixoto, médico interno de saúde pública, atualmente colocado na Unidade de Saúde Pública de Lisboa Norte.

“É certo que dentro de um ou dois meses serão necessários reforços. O ano letivo ainda mal começou e as solicitações e chamadas só por parte das escolas são praticamente constantes. Neste momento estamos a maximizar a eficiência com os recursos e sistemas informáticos que temos”, descreve o médico, que também colabora com a Escola Nacional de Saúde Pública. “Estamos a ter muitas solicitações das direções das escolas e de casos individuais com dúvidas e pedidos de esclarecimento, centenas de pessoas em vigilância ativa que são contactadas ou que reportam sintomas online enquanto estão em isolamento por terem contactado com um caso positivo. Para termos um acompanhamento próximo, com mais visitas às escolas para avaliação do risco e dos contactos e, além disso, melhorarmos as medidas preventivas, temos de garantir que os médicos e enfermeiros de saúde pública e técnicos de saúde ambiental têm um suporte administrativo adequado (que os liberte dessas tarefas)”, explica, lembrando que há unidades de saúde pública que podem ter de gerir mais de 100 estabelecimentos, muitos deles com uma população escolar de grande dimensão.

Também Ricardo Mexia, presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública, concorda com a necessidade de assegurar mais meios: “Se não temos recursos para os mínimos, vamos ter muita dificuldade em responder a um aumento da procura”, admite, lembrando que foi precisamente a escassez de meios que, em junho, atrasou a descida dos números em algumas freguesias da Área Metropolitana de Lisboa, prolongando-se aí o estado de calamidade.

TESTAR OU NÃO TESTAR

Ao longo da semana foram sendo conhecidos casos de alunos, professores e funcionários que testaram positivo para a covid-19 e que tinham estado, por perío­dos mais ou menos prolongados, dentro de uma escola. Aconteceu sobretudo em estabelecimentos privados e de escolas internacionais, que começaram o ano letivo mais cedo. E os procedimentos seguidos (que respeitam o referencial da DGS para as escolas e que foram tomados em articulação com as autoridades de saúde) não deverão variar muito à medida que forem surgindo mais casos. O que não significa que as medidas postas em prática sejam as mesmas em todas as situações. Dependerá das condições dentro da escola, do nível de ensino e da comunidade em que se insere (ver P&R) .

O Colégio Mira Rio, em Lisboa, foi um dos casos noticiados e é um exemplo de como a avaliação feita originou medidas diferentes para as duas situações de covid-19 confirmadas, afetando duas irmãs: uma aluna do jardim de infância, de quatro anos, e outra do 5º ano. No primeiro caso, as 25 crianças da sala dos quatro anos (e ainda a educadora e duas auxiliares) foram mandadas para casa e aí devem permanecer em isolamento profilático e com vigilância ativa dos sintomas durante 14 dias: medição de febre duas vezes por dia e atenção ao aparecimento de tosse ou dificuldade respiratória. Só farão o teste se surgirem sintomas, explica-se no site do colégio, numa informação que foi transmitida pela autoridade de saúde do Agrupamento de Lisboa Norte.

Quanto às colegas da irmã mais velha, dez foram consideradas “contacto de alto risco”, tiveram de fazer o teste para o SARS-CoV-2 e vão ter de ficar em casa em isolamento durante 14 dias, estando a ter aulas à distância. As restantes estão a ir à escola. Já os irmãos das crianças “contactantes do caso” podem frequentar a escola, fazendo vigilância passiva (verificar os sintomas diariamente e medir a temperatura), lê-se ainda no site do Mira Rio.

Mas a responsabilidade de toda esta gestão não pode recair exclusivamente nas escolas e nas normas, avisa ainda Vasco Ricoca Peixoto, que apela a um “comportamento individual e a uma gestão de risco” condicentes com a pandemia que o mundo vive. Os pais não podem “minimizar os sintomas” dos filhos e devem cumprir à regra as indicações das autoridades de saúde. É fundamental realizar o teste se houver indicação para tal, mas também fazer os 14 dias de isolamento profilático, mesmo que tenha um teste negativo. É que há uma percentagem relevante de pessoas que só se revelam “positivas ao 7º dia após um contacto de alto risco”. E de nada servirá cumprir todas as regras dentro da escola se cá fora tudo é esquecido. “Há muitas oportunidades de transmissão fora da escola e estas devem também ser minimizadas por todos”, sublinha ainda o médico.

Isabel Leiria

Expresso

 

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