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Diário De Uma Teip – Os Outros Filhos Do Coração

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Na última publicação escrevi sobre os alunos que nos marcam pelas vidas difíceis que têm, por se terem desviado daquele que é o caminho que pretendemos que todos consigam percorrer… Mas há os que conseguem!! Provavelmente não tantos como gostaríamos para quebrar as estatísticas que constantemente são publicadas, e que mostram que a Escola não é um ascensor social para todos. Principalmente nestas últimas semanas pudemos verificar como as condicionantes se agravaram para muitos destes alunos.

Mas hoje quero falar daqueles que normalmente ficam esquecidos, daqueles que apesar das condicionantes económicas, de viverem num bairro com todo o estigma que isso acarreta, de serem tentados diariamente a ir pelo caminho mais fácil na companhia dos amigos de rua, optam por dizer que não!

A escola preocupa-se principalmente com todos aqueles que vemos a enveredar pelos caminhos que não queremos mas, e os outros? Que atenção, que ajuda lhes damos? Muitas vezes ficam em segundo plano porque caímos na tentação de achar que não precisam… São alunos que não faltam, têm um bom comportamento, têm material, querem aprender, não nos chamam à atenção. Mas não, ao fim destes anos chego à conclusão que precisam mesmo muito… Acho que às vezes não temos a noção de como é difícil para as crianças e jovens que vivem nestes meios lidar com o facto de quererem ser diferentes dos restantes, de terem pais que têm receio e não os deixam ir brincar para a rua, que têm horas para regressar a casa, que os obrigam a estudar e ser responsáveis. E que quando chegam à escola são apontados pelos outros porque fogem à regra do bairro.

Por isso é um orgulho imenso quando os vejo crescer e seguir um rumo diferente, estudarem, tirarem um curso, arranjarem um trabalho e organizarem a vida, porque sei o quanto tiveram que lutar para isso… E para não dar só exemplos de vidas complicadas vou falar de uma ex-aluna: iniciou-se na Orquestra Geração (um projeto fantástico que existe em algumas escolas e que dá oportunidade a muitas crianças que aprenderem a tocar um instrumento, participar em concertos, estágios, vivências que de outra maneira nunca teriam) com cerca de nove anos, nunca deixou mesmo quando transitou para o segundo ciclo, tendo de conciliar horários e estudos (muitas vezes têm aulas até às vinte…), foi fazendo o seu percurso escolar de forma regular, nunca abandonando a música. Quando chegou ao décimo ano optou pela via profissional na Escola da Orquestra Metropolitana de Lisboa e está agora a chegar ao fim deste percurso, como chefe de naipe, em violino… Este é um caso de sucesso, entre outros, e eu lá estarei a aplaudir de pé quando for a sua apresentação final!!

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