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Da Aproximação a Orwell; e Também na Escola

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Receiam-se as apps Covid-19 porque podem ser um passo mais orwelliano do que o imaginado por George Orwell. Acima de tudo, o escritor, jornalista e ensaísta político inglês definiu a prioridade: “se a liberdade significa alguma coisa, será sobretudo o direito de dizer às outras pessoas o que elas não querem ouvir.” E disso não devemos abdicar. Aliás, neste domínio impressiona a pontuação social chinesa que é inimaginável quando se intensificar o uso de processadores biónicos, redes G5 e inteligência artificial. Na fase pré-pandemia, o cidadão chinês já era pontuado pelo seu comportamento. A pontuação da plataforma Zhima Credit, por exemplo, começava em 300 e ia até 850 pontos. Englobava as interacções sociais até aos detalhes mais opinativos ou íntimos e influenciava variadas permissões (hotéis, restaurantes, viagens, apps de encontros, crédito financeiro e necessidades básicas). Abaixo de 300 pontos era a exclusão total e aterradora, tendência que se terá agravado com a COVID-19.

Percebe-se a apreensão no ocidente. Apesar das democracias, conhecem-se os preocupantes perfis de utilizadores comercializados pelas gigantes tecnológicas e há inúmeros estudos sobre o assédio moral em organizações (alguns autores classificam-nas, com piada, como as little-little-yellow) que espiam as redes sociais e as plataformas para censurar incomodidades. Ou seja, os genes chineses não são mais little-little-yellow do que os ocidentais; é uma questão de contexto, plataformas e oportunidades.

E a grande encruzilhada é económica. Governos e bancos imprimem, desde 2008, dinheiro a rodos com pavor de que as crises financeiras (2008 e actual) terminem com o crescimento económico. Com esse objectivo, criou-se, e cria-se, do vazio triliões de euros, ienes ou dólares a crédito extremamente acessível na esperança de que a investigação encontre uma grande panaceia, na inteligência artificial ou na biotecnologia, antes que a bolha estoure. Serão essas novas indústrias que sustentarão os triliões de moeda. Se isso não acontecer, adivinham-se muitas dificuldades.
Para além disso, ainda não se vêem alternativas industriais consistentes e sustentáveis sem “big brother”; e isso repercutir-se-á na escola e nas tecnologias de que disporá. Resta-nos começar de imediato com o que depende da nossa vontade: currículo completo, melhores condições de realização do ensino e da aprendizagem, liberdade pedagógica e avaliativa e ambiente organizacional que influencie o clima relacional e eleve uma escola democrática.

Imagem: “Big Brother” por Banksy

Nota: o estado actual da rede escolar (depois do encerramento a eito de mais de 5000 escolas em 15 anos), e da restante estrutura escolar (uma fonte doentia para todos), está de tal forma bloqueada que “impossibilita”, por exemplo, a tão reivindicada redução significativa de alunos por turma. Sublinhe-se que estas políticas inspiraram-se nas denominadas “Novas Políticas de Gestão Pública” aplicadas, em 1980, por Margaret Teatcher no Reino Unido (nem de propósito, uns anos antes Orwell escreveu 1984), iniciadas em Portugal por Barroso (chegamos sempre tarde) e impostas por Sócrates com tal determinação que acelerou as condições escolares, e não só porque, por exemplo, o SIADAP é transversal, para uma “sociedade big brother de pontuação social”.

 

Fontes: Correntes

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