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Afinal, não há plano A, B ou C, apenas o “logo se vê”!

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Começo a perder a esperança! Sim, ainda tinha esperança que o Governo estivesse a tratar do regresso às aulas em setembro. Mas depois do projeto de lei da redução do número de alunos por turma, proposto pelo BE, ter sido chumbado no Parlamento, a esperança desvaneceu-se!

Tive a oportunidade de assistir em direto à maior parte das intervenções no debate do dito projeto e o que vos tenho a dizer é que não, afinal, não há plano A, B ou C, apenas o “logo se vê”!

Não está aqui em causa a necessidade de dar este passo rumo à Escola Digital. O que está em causa é que isso só por si não resolve nada. Absolutamente nada!

Veio o Ministro da Educação anunciar, pela comunicação social, numa visita a uma escola, que o início do próximo ano letivo será entre 14 e 17 de setembro. Acrescentou no dia seguinte que as primeiras cinco semanas de aulas seriam de recuperação das aprendizagens, mas esqueceu-se que isso se faz com o auxílio dos manuais escolares, que entretanto mandou recolher. Para espanto de todos, o Orçamento Suplementar, que é supostamente um instrumento de investimento público para dar resposta à situação pandémica com a qual iremos conviver mais uns meses, não disponibiliza um tostão para fazer face às medidas anunciadas, designadamente a recuperação das aprendizagens. Também não é possível vislumbrar nenhuma referência às várias perguntas lançadas diariamente por quem se preocupa com o início do próximo ano letivo. Haverá ou não desdobramento de turmas? Serão criados turnos diários? Serão criados turnos semanais? Como pensam organizar os vários ciclos? Estarão todos nas escolas?

Torna-se imperioso tomar decisões atendendo às especificidades de cada ciclo. Como referi aqui, no 1.º ciclo, onde a autonomia das crianças é reduzida, as aulas presenciais são fundamentais, sendo que o ensino remoto só deve ser usado no estritamente necessário e como complemento. Acredito que estes argumentos são igualmente válidos para o 2.º ciclo.

Será que, tendo em conta as premissas anteriores, não seria possível pensar num regresso faseado? Começando pelos mais novos, que usariam os espaços e salas deixadas vagas pelos ciclos seguintes, e consoante a evolução pandémica, fazer regressar os mais velhos.

Todos sabemos que planearão sobre um futuro demasiado incerto, mas por isso é que se torna imprescindível que desenvolvam vários planos, para estarmos todos preparados para vários cenários.

Planear tendo em conta algumas probabilidades:

  • Na existência de uma segunda vaga: O que fazer? Fechar as escolas todas? Fechar só a escola onde há casos? No dia seguinte estarão todos preparados para dar continuidade em modo remoto?
  • Houve uma enorme quantidade de baixas médicas entre as educadoras no regresso a 1 de junho. Qual a estratégia que será usada no caso de um cenário idêntico em outros grupos de recrutamento?
  • Como prevêem compensar o ensino à distância do último período, no início do próximo ano? Com contratação de mais professores? Será que é possível em todos os grupos encontrar professores? Com aumento de carga horária?
  • Podemos ou não contar com um desdobramento de turmas, por razões de distanciamento físico?
  • Será criado um programa nacional de apoio suplementar aos alunos com necessidades educativas especiais e suas famílias? Estes que mesmo em ambiente escolar já tinham falta de meios.

Muitas questões têm sido colocadas, mas para nenhuma há resposta!

Professor e autor do blogue VozProf

Fonte: Público

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