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Abram As Escolas, Já!

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Pronto acabou-se, toca de abrir as escolas…acho fundamental que as escolas abram com a máxima urgência.

Os pedidos têm vindo de vários setores da sociedade civil, pedido esse que vem com a desculpa das desigualdades sociais, parece até que abrindo as escolas as desigualdades sociais desaparecem!

Continuarão lá, como dizia hoje António Costa no parlamento, só que camufladas por uma escola aberta e um assunto que deixa de ser da sociedade, como acontece agora, e passa a ser da escola, mais fácil portanto!

O problema das desigualdades sociais não se resolve a jusante, mas sim a montante, a escola não é o local certo para resolver essas desigualdades, não na forma como querem que o faça, no formato de apoio social, na alimentação, no local onde deixar os filhos para ir trabalhar!

As escolas fecharam, na sua maioria, porque só assim se evitou o descalabro no SNS, teria sido uma grande pressão para a saúde.

Portanto quem pede a abertura da escola para que os pais possam trabalhar, está a ser apenas ignorante, quem pede para diminuir as desigualdades está a ser demagogo!

A escola tem um papel importante, sim, no combate às desigualdades, mas vejamos onde:

Na qualidade da oferta, na possibilidade de ser um elevador social, para qualquer aluno que a frequente, independentemente da sua origem ou estrato socioeconómico.

Não será legítimo todos nós querermos uma oferta pública de qualidade? Não é para isso que pagamos impostos?

As escolas, dizemos nós que lá andamos todos os dias, têm piorado substancialmente a todos os níveis: burocráticos, recursos humanos e não humanos e, sobretudo, na indisciplina que é crescente.

Direi mesmo, em fase de metástase que prejudica gravemente a motivação do pessoal docente, que já estão tão maltratados, e do pessoal não docente.
Com a situação neste estado, a Escola Pública deixou de servir todos, servindo agora, apenas, àqueles que, das duas uma: ou não sabem, ou não podem!

O papel principal da Escola Pública é a capacidade que deve ter de servir de elevador social a todos os cidadãos, dando as mesmas oportunidades, diluindo assim as diferenças socioeconómicos.

Só que o que temos assistido é a uma cada vez mais débil Escola Pública. E isso não podemos, enquanto agentes educativos, deixar que aconteça!

Independentemente da estratégia que possamos utilizar, tem de haver um pacto político e social de longo prazo que coloque a Escola Pública a desempenhar a sua função.

Preferia não recorrer aos estudos da OCDE, mas vou recuperar aquele que fala sobre a mobilidade social em vários países, incluindo Portugal.O referido estudo indica-nos -algo que a maioria de nós já reparou – que a mobilidade social em Portugal é inexistente. Os filhos dos mais carenciados estão destinados a serem para sempre carenciados, e os filhos dos mais abastados estão destinados a serem sempre abastados.

É aqui que Escola deve entrar: deve dar resposta, e deve ser o mecanismo ao serviço do estado para que “ricos” e “pobres” tenham iguais oportunidades de utilizar as suas capacidades para construir uma carreira.
Mas é aqui que a Escola Pública não está a cumprir o seu papel, pois o mesmo estudo indica que o fator preponderante para o sucesso profissional em Portugal não é a educação nem as capacidades pessoais, mas sim a herança.

O papel da Escola Pública deve ser, em primeiro lugar, o de proporcionar aos seus alunos a possibilidade de ali, na escola, deixando as diferenças económicas à porta, estarem em igualdade de circunstâncias com os mais abastados. Mas é mais que evidente que isso não acontece.

Como poderíamos mudar o rumo?
Em primeiro lugar, mudando o paradigma orçamental: investir financeiramente e usar uma das maiores fatias orçamentais para a Educação, encarando-a como a base de uma sociedade moderna, acreditando e fazendo para que todas as transformações sociais nasçam nas Escolas Sem esta concretização, continuaremos em contramão!

Em segundo lugar, dando maior autonomia às escolas, pois só assim a escola teria autonomia para se adaptar ao meio e ao núcleo de alunos que serve e não o inverso que é o que maioritariamente acontece.
Sem esta autonomia o que pode fazer? Pouco, muito pouco.
Na realidade, os pais têm poucas hipóteses, para não dizer nenhumas, de escolher a escola para os seus filhos. Será que devem viver onde há “boas” escolas?

Não poderemos exigir que qualquer escola pública, com dinheiros públicos, tenha de ser de excelência?

Porque será que quem tem mais posses pode escolher a escola, pois, não havendo oferta pública, pode enviar os filhos para um colégio privado?

Será justo que quem tem menos posses esteja totalmente submetido ao ensino público? Até pode cumprir com as expetativas, mesmo que cada vez seja mais provável que não o faça, mas não é justo que assim seja!
Urge acabar com este modelo de Escola Pública onde as comunidades pouco interessam, onde as realidades locais pouco têm a dizer, onde o poder é central.

O debate sobre a Escola Pública acaba sempre marcado pelas queixas dos e contra os professores, com um objetivo claro de destruir a imagem da escola e dos próprios professores. Ora, o problema é o próprio modelo, que urge ser substituído.

Caso contrário, uns continuarão a educar os seus filhos como querem, em escolas privadas, e os outros continuarão sujeitos aos caprichos da 24 de julho e serão precisas várias gerações para a ascensão social se poder concretizar.

A qualidade da Escola Pública só se atingirá quando houver um efetivo investimento e consequente autonomia, por forma a que em qualquer escola coabitem todos, de todos os meios socioeconómicos!

Alberto Veronesi

 

 

3 COMENTÁRIOS

  1. Humm uns dias defende-se que não podem abrir noutro dia que abram já… coisas
    Nuns dias ai jazus que matam os professores e disseminam o vírus, Noutro dia vamos a abrir tudo
    `muito… demasiado para o meu pobre cérebro

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