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A professora Isa e “A casa da Mosca Fosca”. Como foi a primeira aula da telescola

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Gostei! Não deve ser fácil dar aulas para três ou quatro câmeras sem um único aluno à frente! Mas na globalidade a Isa esteve à altura, parabéns!

Fica a notícia


Mosca, escaravelho, morcego, sapo, coruja, raposa, lobo e urso. Esta é a lista de oito animais que, um a um, entrou pelas casas de milhares de alunos dos 1.º e 2.º anos do Ensino Básico naquele que foi o arranque oficial da telescola em Portugal.

“A casa da Mosca Fosca” , de Eva Mejuto, com ilustrações de Sérgio Moura foi a obra escolhida na disciplina de português e vai estar durante toda a semana em análise para os alunos de ambos os anos de escolaridade.

A professora lê a história de uma ponta à outra. O livro está aberto, as páginas estão viradas para câmara e a professora Isa lê, palavra por palavra. A trama desenrola-se em torno de um bolo feito por uma mosca e do cheiro que vai atraindo, um a um, outros animais para um lanche caseiro.

As páginas estão lá, as letras também, mas a câmara de televisão ainda está longe. Assim é difícil ler para quem está em casa.

Mas voltemos ao básico. Casa. Silabicamente: ca-sa. A primeira sílaba tem um som aberto: “Cá”, nota a professora Isa. Mas a mesma sílaba na palavra cama já conta outra história. Ca-ma. Aqui, alerta a professora, lê-se “câ”.

E quantas palavras estão no interior da casa? “Há lá uma, já repararam? É a palavra asa.” Sílaba a sílaba, a análise da história continuou.

Pouco depois, sinais dos tempos. A telescola é nova, mas o quadro continua a ser real, ainda que não seja de ardósia e o giz não desenhe os traços. Sobre um tripé está um painel com folhas de papel de grandes dimensões que, em bloco, recebem o que a aula tem a dar. O giz é agora de cor azul e vem em forma líquida num pequeno tubo: é um marcador. E esse marcador desenha letras que podem não ser pacíficas.

É a chamada diferença entre letra “à maquina” e “à mão”. A professora Isa acabara de desenhar um z com um traço no meio. Era um z à maquina. “Vou tentar aqui fazer de forma diferente, pode ser mais fácil para alguns de vocês”, notava, enquanto reescrevia a palavra cozinha com um traçado arredondado e um z que faz regressar o cheiro do giz a quem o vê escrito.

É um z que parte acima da linha e dá duas voltas antes de passar a linha de novo, desenhando uma “barriga” por baixo dela. “Também foi assim que a minha professora me ensinou na escola”, reconhece. Era um z “à mão”.

A Mosca, a Fosca, o Escaravelho Carquelho e o Morcego Ralego

Voltemos à história. Cada um destes animais tem nomes peculiares. E que rimam. Temos a Mosca Fosca, o Escaravelho Carquelho, o Morcego Ralego, o Sapo Larapo, a Coruja Rabuja, a Raposa Tramosa o Lobo Rebobo.

E se dividirmos mais palavras? Lobo, por exemplo. “Lo-bo”, diz a professora, enquanto corta a palavra, escrita num pedaço de papel, ao meio, deixando as sílabas separadas antes de anunciar o nascimento de um novo vocábulo, fruto daqueles dois sons que acabara de separar: “Bo-lo. Bolo.”

O bolo é também parte desta história. Afinal, foi em torno dele que, uma a uma, cada personagem desta história se reuniu em casa da protagonista fosca. A história promete dar mais aos alunos durante toda a semana.

Partamos então o bolo em fatias: é o sumário. “Leitura da história”, escreve a professora Isa no quadro que não é de giz mas também recebeu letras escritas “à mão”. Falou-se de “rimas e divisão silábica”. Por hoje, foi tudo no Português.

No final, o suspiro. Parece ser de alívio. A primeira aula do regresso da telescola está dada.

“Não lhes vou chamar aulas.” Como correu tudo isto?

Vamos então à avaliação. À TSF, a professora Ilídia Cabral, docente da Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica Portuguesa (UCP) e coordenadora do Serviço de Apoio à Melhoria da Educação (SAME), começa por dizer que foi um “momento positivo na globalidade” e destaca “cinco pontos bastante positivos”.

E a abordagem? A aula foi feita em torno também de um jogo – o de separar sílabas – que conferiu uma “dimensão lúdica” à aprendizagem. Ambos “são fundamentais” nesta faixa etária. A isto junta-se a possibilidade que os alunos têm de “construir em casa os seus próprios jogos para irem aprendendo”.

É precisamente aqui que entram os materiais caseiros, com os quais a professora Isa revelou “muita preocupação”. Folhetos das compras, jornais, revistas, tiras de papel, canetas e marcadores são objetos comuns nas casas portuguesas e que “por vezes não associamos, mas podem ser fontes de aprendizagem muito interessantes”.

Por fim, um ponto agridoce: os desafios. “Fiquei muito contente quando a professora os anunciou, mas depois fiquei triste quando não se efetivaram.” O objetivo da professora Isa era o de acabar a aula com desafios para as crianças mas “talvez por uma questão de alinhamento ou de não haver tempo houve hesitação e acabou por ficar sem efeito.”

“Far-me-ia todo o sentido que estes momentos – não lhes vou chamar aulas – fossem finalizados com reptos e desafios lançados às crianças e jovens”, sublinha a professora da UCP. Para primeira aula, não correu mal.

 

Fonte: TSF

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