Início Editorial A farsa da avaliação do 3.ª período/2.ª semestre

A farsa da avaliação do 3.ª período/2.ª semestre

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Cansado de discutir ponderações para a avaliação do 3.º período, chego à conclusão que mais uma vez iremos todos cumprir uma ordem da qual discordamos.

O Ministério devia ter tido a coragem, a exemplo de outros países, de “passar” administrativamente todos os alunos, adiar os exames para setembro, e continuarmos num sistema assistencial, como por exemplo em Itália.

Mas não teve coragem para isso e então irão os professores classificar, porque avaliar será difícil neste tipo de ensino, uma vez que larga maioria dos professores não tem experiência de avaliar em ensino à distância, todos os seus alunos. Ou será que irão avaliar os pais dos alunos? Melhor, irão avaliar os meios tecnológicos de cada família?

O Ministério da Educação elaborou um roteiro de avaliação à distância, com absolutamente nada de novo, ou pelo menos nada que os professores não soubessem e não percebeu ainda que o problema não está no professor mas sim nas limitações deste tipo de ensino que nem e-learning se pode chamar, foi ensino de emergência, graças ao nosso enorme empenho!

Defendi que o terceiro período devia terminar ainda antes de começar, tendo em conta a avaliação, ou seja, continuaríamos a trabalhar, mas sem avanço de conteúdos e sem avaliação.

A ação dos professores não termina numa nota de pauta, temos trabalhado imenso só não me parece que os critérios que estão em cima da mesa sejam os mais justos, por isso não defendo uma paragem no trabalho, defendo um contínuo trabalho em prol do aluno com o auxílio dos pais por forma a desenvolver academicamente e socialmente os alunos numa situação extraordinária.

O processo é sempre mais importante que a nota final…

Só numa sala de aula é que podemos ter todos os alunos, pelo menos naquele momento, perante as mesmas oportunidades de aprendizagem e será a sensibilidade do professor que motivará, considerando aqui a norma, o aprendiz a aprender.

Quem é que me garante que o trabalho é feito pelo aluno, que tipo de apoio podem ou dão os pais, e bem deixe-vos dizer?

Os elementos de avaliação à distância não conseguem prever estas nuances!

Não condeno as ajudas e os apoios que os pais possam dar aos seus filhos, mas logo aí colocam os alunos em situação desigual perante uma mesma atividade!

É Justo? Não, não é!

Já percebemos, desde dos 942, que Portugal funciona a três velocidades, Madeira, Açores e Portugal Continental, e que a Madeira tomou uma decisão semicorajosa, considerando que os Conteúdos Lecionados Por Videoconferência Não Vão Ser Avaliados, e que por isso os professores não darão no 3.º período nota inferior à do 2.º.

O ensino à distância não garante equidade, nem inclusão, pelo que deveria ser anulada. Passagem administrativa.

Acrescento que muitos encarregados de educação, se por um acaso virem as avaliações dos seus educandos baixarem poderão perfeitamente reclamar pela discrepância e desigualdades que um sistema cria por inerência à distância em que são dadas as aulas.

Não vislumbro novidades neste campo, por parte da tutela…

Alberto Veronesi

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