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Professores, É Agora Ou Nunca, Reagiremos E Impediremos O Desastre?

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Não há dúvida que o caminho que nos querem traçar não é o que queremos percorrer!

Mais uma vez, os professores estão de fora no que toca às decisões da Tutela, não fomos, não estamos a ser e jamais seremos ouvidos se continuarmos na letargia.

Costa, ao anunciar um pacote de 400 milhões para a transição digital nas escolas, passando a ocupar o primeiro lugar das prioridades, está, no fundo, a indicar que todos os outros males de que a escola padece não são relevantes, são apenas reivindicações bacocas dos professores que não entendem a importância do digital.

Com a transição digital, desaparecem as desigualdades, desaparece a indisciplina, melhora-se as condições físicas, dignas do terceiro mundo, de muitas escolas, como que por magia se resolvessem todos os males da escola!

Nós deveríamos, enquanto professores no terreno, reclamar aquilo que poderá, efetivamente, ter repercussões na melhoria da escola. Nomeadamente:

  • recuperação de todo o tempo de serviço
  • revisão em alta dos salários dos professores e respetiva comunidade escolar.

Aproveitando os fundos da CE, fazendo assim justiça às reivindicações dos professores numa matéria fulcral para a manutenção dos professores na profissão e para captação de novos.

  • Reduzir as turmas a pelo menos metade do estipulado no pré-covid-19;
  • Aumentar proporcionalmente o número de professores;
  • Criar turnos duplos (manhã / tarde) em todas as escolas;
  • Complementar o presencial com o ensino à distância com turnos semanais;

Com estas medidas, estaria assegurado o retorno ao presencial servindo assim o online apenas de tutoria. Para isso seria necessário o tal reforço na verba para munir todos os professores e alunos com as devidas ferramentas, mas não oferecendo, emprestando, como um trabalhador que tem direito a carro e telemóvel, os alunos e os professores teriam igualmente direito a pc e internet…no final devolviam o material à escola.

Que até aqui os professores tenham feito um sacrifício, comprando material tecnológico, formando-se exaustivamente online, para conseguirem adaptar-se às exigências extraordinárias e urgentes, até podemos aceitar. Que daqui para a frente se pretenda continuar com este formato, sem prover os professores de apoios, designadamente de material apropriado, já me parece um enorme aproveitamento da situação.

Não podemos aceitar mais esta tentativa de desprestígio da classe. Se o que fizemos antes nos dignificou, se aceitarmos agora estaremos a desprestigiarmo-nos. Fui, desde do início, defensor do fecho das escolas. Posteriormente defendi o terminus do ano letivo. Depois coloquei-me contra a abertura, mesmo que só para o secundário, pelo que defendi este sistema de ensino remoto, atendendo à situação extraordinária, sem sequer entender algumas queixas de colegas, relativas ao uso abusivo, por parte do ME, dos nossos meios tecnológicos, do nosso serviço de internet, aos horários totalmente “loucos” e outras tantas queixas, mas não entendi porque quis acreditar que a situação a isso obrigava e que seria transitória pois quem de direito estaria a acautelar o reinício em setembro.

Só que me enganei. Senti, portanto, a necessidade de alertar para o facto de ser urgente começar a planear setembro, quando ainda se discutia se se testavam ou não os professores, para a reabertura a 18 de maio.

O ministro da Educação mostrou esta semana manter uma certa agrura para com os professores, quando disse que vai processar disciplinarmente os que inflacionarem as notas, partindo do princípio que a desonestidade impera dentro da classe, e piorou quando acrescentou que o próximo ano letivo servirá para atestar as aprendizagens destes últimos meses, subentendendo-se das suas palavras que talvez os professores não tenham conseguido!

Talvez sem noção do que acabara de dizer, acrescentou que o ensino será misto e rapidamente nos apercebemos que estamos perante alguém sem lucidez suficiente para fazer frente aos tempos difíceis que se adivinham.

Não conheço ninguém, mesmo aceitando que possa haver, que aprecie a forma como este ministro tem gerido a pasta da Educação e creio que isto trará consequências já em setembro.

A forma como se prevê que querem resolver a situação, fazendo com que os professores continuem a trabalhar a triplicar, fazendo presencial e remoto, sem intenções de contratar mais professores, apenas fazendo a gestão eficiente dos recursos, sem intenção de munir todos os professores, através de subsídios, de material tecnológico para a prática do ensino remoto, parece-me o princípio do seu fim!

Ao invés poderia o ME, tendo em conta as desigualdades sociais, bem visíveis através do número de alunos sem acesso à internet e sem equipamentos informáticos, reforçar o orçamento às escolas públicas para que possam adquirir equipamentos para emprestar aos alunos. No mesmo sentido, é preciso pensar nos professores, no reforço do Estado à aquisição ou empréstimo de equipamentos tecnológicos (sem esquecer a necessidade de um novo Plano Tecnológico para a Educação e para os Recursos Educativos Digitais) para desenvolverem o ensino online a partir da casa de cada um. Neste tempo de emergência, os responsáveis governamentais e as autarquias devem ter a preocupação de pensar nos professores, nos alunos e nas famílias, nas suas angústias e dificuldades, criando respostas eficientes para minimizar as desigualdades.

Escrevi em tempos que poderíamos aproveitar a atual situação e torná-la numa janela de oportunidade, mas prevejo que o atual Governo verá apenas uma janela de oportunidade para, mais uma vez, poupar na Educação!

Tenho pena, mas espero que não aceitemos!

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