Início Educação 2.ºPeríodo | Do “excecionalmente bem” de dezembro ao provável descalabro de janeiro

2.ºPeríodo | Do “excecionalmente bem” de dezembro ao provável descalabro de janeiro

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Chegou ao fim o primeiro período. Se correu bem ou mal? Depende da perspetiva. Para António Costa o primeiro período correu excecionalmente bem, para o ministro da educação também, tendo inclusive deixado “bravos” às escolas, professores e alunos . Houve até quem nos tenha chamado de hérois.

O facto é que as escolas na sua grande maioria se mantiveram abertas e isso é, sem qualquer dúvida, muito positivo. No entanto, nem tudo foi claro no processo, e isso é negativo. As escolas mantiveram-se abertas, mesmo que, quem nos governa, nos tenham deixado à sorte!

Começámos mal orientados pela tutela, deixando do lado dos diretores o ónus da capacidade ou não de cumprirem com todos os “se possível” das orientações. Depois à sorte da competência dos delegados de saúde. Posteriormente fizeram passar a mensagem, constantemente, de que nas escolas estava tudo a correr bem. Da DGS ao Ministério de Educação os dados oficiais que eram propagados nos meios de comunicação social não eram fidedignos, vinham com semanas de atraso e estavam longe da realidade. A confusão entre surto e casos acabou por tonar toda a situação muito confusa.

Só no princípio de novembro é que o Ministério da Educação criou uma plataforma para registar os casos nas escolas, até lá estivemos no escuro. Juntando a isto, foi quase institucionalizado uma espécie de lei da rolha nas escolas e agrupamentos para manter a aparência de que tudo corria bem. Na realidade ficou provado que foi no grupo etário dos 10 aos 19 anos, correspondente à idade dos alunos que frequentam entre o 5.º e o 12.º anos, que o aumento de casos foi mas expressivo.

Portanto, foi positivo as escolas terem-se aguentado abertas, mas nem tudo correu assim tão bem como mais uma vez querem fazer crer. Perante estes dados e apesar daquilo que foi adiantado pelo governo, parece-me fundamental que se pense no regresso do segundo período com alguma cautela. Em primeiro lugar porque é preciso maiores cautelas com esta nova variante do vírus que pelos vistos se propaga com maior rapidez provocando assim maior número de infeções. Se juntarmos a este novo dado a probabilidade de haver um aumento de casos de infeção, que acontecerá precisamente nessa altura, devido ao relaxamento de medidas no período natalício, parece-me que temos todos os ingredientes para ponderadamente pensarmos noutros cenários. Considerando sempre o concelho onde se inserem as escolas  e o respetivo nível de risco a ele associado, podemos agir em vez de reagir, antecipando procedimentos.

O ideal seria adiar em uma semana o início do segundo período a nível nacional, ou seja, iniciar-se-ia a 11 de janeiro. Só assim se poderia ter uma maior noção do aumento de contágios ainda relacionados com o Natal.

Nos concelhos de risco extremamente elevado e muito elevado o início poderia acontecer no dia 11 de janeiro, mas só para o pré-escolar, 1.º e 2.º Ciclo, sendo que o 3.º ciclo e secundário poderiam ficar em ensino à distância e regressariam mediante nova avaliação de casos.

Só com uma entrada retardada no regresso às aulas é que poderemos reduzir o risco de aumento de casos devido a um Natal mais relaxado. E com isso, criar o pânico global nas escolas. Seria o pior que poderia acontecer.

Não conheço, admitindo que possa haver, nenhum professor que prefira dar aulas online em detrimento do ensino presencial, essa nunca foi uma causa de luta docente. Mas há que reconhecer que os professores têm feito bem mais pelo país que o país faz por eles.

É unânime que as escolas não podem fechar porque isso poderia significar um país próximo da bancarrota, mas para isso é necessário que se comece a antecipar cenários, agindo em vez de reagir.

Alberto Veronesi

2 COMENTÁRIOS

  1. Resumindo os profetas da desgraça, assim tipo BOZ falharam em toda a linha. Mas agora é que é!!!!! Agora vão morrer!…. alguma vez acertarás….
    Essa conversa mete dó… cura-te

    • Fale agora , vejo ao descalabro que chegámos devido à incompetência do governo. Adiar o início das aulas teria ajudados a preparar e a planear esta fase, que só não esperava quem é cego

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