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1,2 milhões podem só voltar à escola em setembro

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Primeiro foi o choque de saber que todas as escolas — das creches às universidades — iam mesmo fechar portas, depois de dias de incerteza e alarme à medida que os casos de infeção pelo novo coronavírus iam chegando também à comunidade escolar. Estávamos a 13 de março e António Costa era só mais um primeiro-ministro na Europa a anunciar a suspensão das atividades letivas presenciais por tempo indeterminado. Dia 9 de abril, logo se reavaliaria. E durante as últimas semanas, pais e crianças adaptaram-se a um novo e complicado estilo de vida familiar, desesperando por dias mais simples. Agora ficaram a saber que esses dias ainda estão muito longe. Tão longe que nem sequer têm data prevista. Pelo menos, para a grande maioria dos 1,2 milhões de alunos do pré-escolar ao 9º ano que ouviram quinta-feira o primeiro-ministro dizer: “Há uma decisão tomada e definitiva. O ensino básico não terá aulas presenciais até ao final do ano letivo.”

O anúncio feito no final do Conselho de Ministros foi acompanhado de outras notícias capazes de desesperar muitas famílias. Em relação aos jardins de infância, António Costa lembrou que só poderão reabrir quando forem “revistas as atuais regras de distanciamento, impossíveis de cumprir em sala por crianças desta faixa etária (três aos cinco anos), sendo ainda prematuro definir um prazo seguro, ainda que indicativo”. Ou seja, como as recomendações da Direção-Geral da Saúde são para não aligeirar nem um pouco as medidas de contenção social e afastamento, o primeiro-ministro não vê hipótese de reabertura. Já em relação às creches, a decisão é, para já, a mesma. Não há condições para voltar a abrir. Mas também aqui, “tal como para outras atividades”, vai sendo feita uma avaliação, sempre baseada nos dados transmitidos pelos peritos de saúde que estão a trabalhar com o Governo, explicou.

O problema é que miúdos em casa significa que os pais também lá terão de ficar ao longo dos próximos meses — até porque não é recomendável ficarem com os avós. Só das creches até ao 6º ano, há cerca de 960 mil crianças, fora as 366 mil do 3º ciclo.

A questão é económica, já que o Estado está a pagar parte do salário dos pais que têm crianças com menos de 12 anos e não podem estar em teletrabalho. Mas também social pelo enorme impacto que a manutenção do confinamento tem nas famílias.

ABRIR PARA QUEM?

Depois de uma semana de previsões prudentes, mas otimistas, sobre a forma como a pandemia estava a ser controlada, os portugueses já sonhavam com um sinal que lhes permitisse antever alguma normalidade ao ‘fundo do túnel’. Mas a conferência de imprensa de quinta-feira funcionou como mais um balde de água gelada.

Numa gestão de crise inédita, em que cada país ensaia uma espécie de navegação à vista, tentando não cometer erros que podem vir a revelar-se fatais, a orientação do Governo vai em sentido contrário ao que está a ser decidido noutros países europeus, como Dinamarca e Noruega, que vão reabrir primeiro as escolas dos mais novos (ver texto ao lado). A Islândia e a Suécia, que adotaram estratégias diferentes de combate à pandemia, nem sequer as fecharam. Uma das ideias por trás desta estratégia tem a ver com o facto de estas crianças desenvolverem muito menos problemas de saúde se forem infetadas pelo SARS-CoV-2 e, em muitos casos, não apresentarem sequer sintomas.

Já no caso de Portugal, a decisão do Governo passa por tentar abrir apenas para os estudantes do 11º e 12º anos. “Havendo menos oportunidades de recuperação futura e sendo anos decisivos para a conclusão de um longo processo educativo, seja para acesso ao ensino superior seja para ingressar na vida ativa, é particularmente importante que ainda possamos retomar as atividades letivas presenciais, tanto mais que é tal a diversidade de disciplinas que não podemos recorrer ao apoio da transmissão televisiva”, justificou Costa.

PROFISSIONAIS DE RISCO DISPENSADOS

No plano A, o otimista, estes estudantes regressam às escolas a 4 de maio, tendo aulas presenciais apenas às disciplinas sujeitas a exame específico para o acesso ao ensino superior — todas as outras continuam a ser dadas à distância. Quem não quiser ir não vai e a falta está automaticamente justificada. Professores e funcionários que integrem grupos de risco, seja por idade ou doença, devem ser dispensados do serviço letivo presencial e o calendário de provas e de acesso ao superior é todo revisto, com o ano letivo a terminar para estes estudantes a 26 de junho (ver caixa).

As direções dos agrupamentos vão ser responsáveis por assegurar e fazer cumprir todas as regras de distanciamento e higienização adequados. E todos terão de usar máscara no interior da escola, que será disponibilizada pelo Ministério da Educação.

No plano B, o pessimista, as escolas não reabrem. “Hoje ainda não é possível tomar essa decisão. Iremos continuar a acompanhar a evolução da situação” e só avançará se houver condições de segurança, reforçou António Costa.

Quanto aos alunos do 1º ao 9º ano, a ordem é para prosseguir o ensino à distância e, a partir do dia 20, com a ajuda de emissões diárias de conteúdos educativos transmitidos na RTP (ver caixa). Sem provas de aferição no 2º, 5º e 8º anos, nem provas finais no 9º. Com a certeza de que no próximo ano será preciso fazer um esforço adicional para recuperar as aprendizagens que ficaram por fazer neste ano letivo que já entra para a História como o mais excecional de que há memória.

AULAS NA TV A PARTIR DE DIA 20

Com as escolas do básico fechadas e os alunos a terem de aprender à distância, será também através da televisão que o Ministério da Educação (ME) quer garantir que todos acedem a conteúdos educativos que constam das disciplinas do 1º ao 9º ano. As emissões desta ‘telescola’ adaptada e que complementam o ensino à distância — que também tem de ser assegurado pelos professores através de recursos digitais — começam dia 20. Haverá emissões diárias, de segunda a sexta-feira, na RTP Memória para o ensino básico. Na RTP2 passarão conteúdos para o pré-escolar. Os programas vão estar disponíveis na TDT, cabo e plataformas do canal público, de forma a que possam ser visualizados a qualquer dia e hora e trabalhados por professores e alunos de forma mais flexível. A antiga telescola funcionou em Portugal durante as décadas de 60 a 80, para os alunos do ensino preparatório.

Fonte: Expresso

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