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11.º e 12.º anos. Há professores que continuam a garantir ensino a alunos que faltam

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Mais um bom exemplo do espírito dominante na classe, o de missão! Aplaudo com precaução pois a tutela entende que assim seja e conta com isso para resolver problemas que são da sua responsabilidade.

 


A presença nas aulas presenciais que arrancaram no dia 18 de maio para os 11.º e 12.º anos não é obrigatória, mas “grande parte dos alunos estão a ir” e “o número deve aumentar à medida que o tempo passa”. A certeza é de Filinto Lima, dirigente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP). Para aqueles que faltem, a escola não está, de acordo com as diretrizes do Governo, obrigada a garantir-lhes o ensino à distância, a não ser aos alunos que pertençam a grupos de risco (mediante apresentação de um atestado). Mas há professores que têm ido além do seu horário laboral nas salas de aula para garantir o acompanhamento de todos.

Não a maioria, mas haverá professores que continuam “a enviar o material pedagógico e tarefas que desenvolvem em contexto de sala de aula”, diz Filinto Lima. Mas não deve ser uma obrigação, reitera. A ausência de acompanhamento a partir do dia 18 de maio para quem falte “é uma consequência e os pais assumiram-na”.

Os docentes que decidem alargar o seu tempo de trabalho para continuar a ajudar os alunos mais reticentes em voltar fazem-no “compreendendo a posição dos pais” e “até é uma forma de dar confiança aos pais para que os alunos regressem”.

Antes da reabertura das escolas secundárias, a Direção-Geral da Saúde assegurava que o risco de voltar é equivalente ao risco de viver em comunidade. “Não há motivo para que os pais não deixem os filhos ir à escola”, disse a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, em conferência de imprensa. Diz que “o regresso às aulas está a ser ponderado para garantir a segurança de todos”.

No primeiro dia de aulas, os professores mostravam-se surpreendidos com a chegado de um elevado número de alunos, contrariando as previsões que ditavam uma ausência elevada. Toda a comunidade escolar entrou no arranque das atividades letivas presenciais em pés de lã, mas o medo rapidamente deu lugar à tranquilidade.

Sem aulas presenciais e à distância, como será feita a avaliação destes alunos? A lei prevê que haja, no mínimo, dois momentos de avaliação por ano, distribuídos por qualquer período (no caso das escolas que apliquem o sistema por períodos e não semestres). Com os dois primeiros períodos do ano já assegurados, e uma parte do 3.º período à distância, nenhum aluno deverá chumbar de ano estritamente pela ausência das aulas presenciais que agora começaram.

Os diretores garantem, ainda assim, que os professores vão encontrar forma de dar uma oportunidade aos estudantes que faltem e queiram continuar a trabalhar pela sua nota final.

Segundo o dirigente da ANDAEP, “terá de ser a escola a encontrar critérios de avaliação”. O sistema deve assemelhar-se ao que já está previsto para os estudantes do 1.º ao 10.º ano: “Avaliamos atendendo ao constrangimento da distância e com base noutros critérios, além dos testes.” Testes escritos, aliás, não considera “aconselhável”. Os docentes devem antes optar por “indicar trabalhos, permitir uma apresentação oral”, entre outros modelos de avaliação.

Professores exaustos

O desafio do ensino à distância deixou os docentes à beira de um ataque de nervos e as baixas psicológicas e psiquiátricas não param de chegar.

Por isso, inúmeras solicitações de atestados psicológicos e psiquiátricos têm chegado às escolas nestas últimas semanas, deixando descalças várias turmas. A Associação Nacional de Professores acredita “que existe um grave risco de aumento” nas requisições destes atestados tendo em conta os números expectáveis todos os anos.

Uma discussão para a qual os sindicatos já tinham chamado a atenção, devido ao trabalho destes profissionais, que “aumentou brutalmente”. No atual contexto de pandemia, “muitos docentes estão ainda mais perto da exaustão”, alertou o Sindicato de todos os Professores.

 

Fonte: DN

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